Alan Malouf confirma contratos fictícios para lavagem de dinheiro

O procurador responsável pelas empresas contratadas pelo então governador é funcionário do buffet de Alan Maluf

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Sem responder à maioria das perguntas referentes aos contratos fictícios com o ex-secretário de Estado Eder Moraes, o empresário Alan Malouf afirmou nesta sexta-feira (21) à juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, que a relação deles começou com um contrato em 2010.

O empresário declarou ainda que na época não sabia qual era a origem do dinheiro para o pagamento dos serviços prestados.

Alan ainda relatou que o valor era referente a um evento com cerca de 4 mil pessoas e também para um segundo evento com mil pessoas. Juntos, os custos chegaram R$ 950 mil.

“O governo demorou muito para realizar o pagamento desses eventos e de alguns outros que fiz, também a convite do Eder Moraes. Fiquei cobrando por um ou dois anos o Éder e o governador. Às vezes, cruzava com ele em eventos e o cobrava. Ele (Éder) sempre dizia que eu ia receber”, revelou.

Quem pagou a dívida? 

No final de 2014, Nadaf – já secretário da Casa Civil – abordou o tema com Éder e ele falou que ia conversar com o governador. “O Maurício Guimarães seria um dos responsáveis por pagar a dívida, mas se recusou a pagar. O Maurício ia pagar a metade e o Nadaf a metade também”, explicou Alan.

Malouf conta que recebeu o valor da dívida em dois envelopes, cada um com valores entre R$ 400 mil e R$ 500 mil cada. “Naquele momento, o que eu precisava era receber”.

Contratos fictícios 

O empresário contou ainda que, em uma reunião com Maurício e com Nadaf, declarou que estava necessitando de dinheiro, e pediu um empréstimo de maneira informal. Semanas depois, recebeu o dinheiro, cerca de R$ 300 mil em espécie, e o restante em cheques em nome de terceiros.

“Eu recebi R$ 1,6 milhão de Pedro Nadaf e R$ 600 mil do Arnaldo Alves. Me entregaram em vários cheques. O meu erro foi não ter feito a documentação”, disse.

Questionado pela juíza sobre a procedência do dinheiro e se o empresário não teria suspeitado da origem do mesmo, principalmente por ter recebido em espécie, Malouf se furtou a dizer que apenas precisava do dinheiro e que não se importou com isso.

“No momento, eu estava em crise, precisava do dinheiro, fiz um empréstimo com eles com  juros de 1% ao mês. Como conhecia eles há mais de 15 anos e sempre tivemos confiança, tudo foi feito informalmente”, revelou.

Sobre os contratos firmados com a empresa NBC Assessoria (empresa de propriedade de Pedro Nadaf), Alan confirmou que as consultorias não foram realizadas, mas ainda afirmou que os serviços não foram pagos.

“Mesmo assim, as notas fiscais não foram canceladas”, revelou.

Sobre o fato de as empresas terem seu funcionário do buffet como procurador legal, o empresário apenas repetiu diversas vezes que ele era sim o procurador e funcionário.

Alan informa ainda que o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, e o ex-secretário da Secopa, Maurício Guimarães, também participaram da entrega de parte do dinheiro da propina.

O ex-governador Silval informou nesta quinta-feira (20) que, um montante de R$ 10 milhões, de um total de R$ 15,8 milhões desviados, foram pagos ao empresário de factoring Valdir Piran. O pagamento era referente à dívida da campanha de 2010 de Silval.

(Colaborou Jonas da Silva)

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