Candidato da Rede quer fazer debate popular

Foto: Caroline De Vita/Fato e Notícia.

O candidato à Prefeitura de Cuiabá pela Rede Sustentabilidade, historiador Renato Santtana, quer rediscutir a cidade com todos os setores sociais. Acredita que tem chances de ganhar essas eleições com a mensagem que passará ao eleitorado.

Com 10 meses de existência, a Rede deve estrear nas eleições municipais com pelo menos nove candidatos a prefeituras em Mato Grosso. Ao todo, haverá disputas em 15 cidades com a participação de candidatos a câmaras municipais e um ao cargo à de vice-prefeito, em Rondonópolis.

Santtana é candidato pela primeira vez, mas tem histórico de militância desde os 14 anos, quando se filiou ao PT. Desiludido com as mudanças observadas dentro da sigla, passou por outras legendas como o PSOL e o PV, até o início dos debates que deram origem à Rede, encabeçada pela ex-senadora Marina Silva.

Confira a posição do candidato com relação à gestão atual e propostas de campanha nessa entrevista concedida à reportagem do Fato e Notícia.

Foto: Caroline De Vita
Foto: Caroline De Vita

Por que ser candidato?

Você faz uma opção: eu poderia sentar na cadeira e reclamar e deixar que outros tomassem decisões por mim. Hoje eu sou candidato para passar uma mensagem e ganhar será consequência do entendimento que o receptor terá. Por que ser candidato?! Hoje 70% da Rede são compostas por pessoas que nunca tiveram filiação partidária. Isso é um símbolo nosso. O cidadão que não tem tradição política ele pode fazê-la de forma séria.

O Renato também é novo na militância?

Eu já tive filiação partidária, desde os 14 anos, e nunca fui candidato. Militei no PT e saí quando ele chegou ao poder, porque naquele momento vi que o partido tinha se perdido e não me representava mais. Tive uma passagem no Psol e quando a Marina Silva foi para o PV eu fui também, mas até então não tinha ligação com a Marina. Quando ela saiu, eu fui um dos primeiros a participar do movimento “Sonháticos”, que era uma plataforma social que aqui foi bem representada pelo Archimedes Pereira Lima Neto. A Rede surgiu desse movimento e o da Marina Silva vem de pessoas de outros partidos, de ambientalistas.

Vivemos um debate de que há uma grande fragmentação de partidos, sendo de direita, esquerda, centro direito ou vice e versa. Como você define a Rede enquanto político?

As pessoas falam que existem partidos demais, já eu acho que tem de menos. Muitos dos presidentes estão à frente do partido há 20 anos, alguns são até familiares. Isso não é partido, nós estamos falando de partido com ideologia. A Rede é um partido contemporâneo, nela cabe socialista, comunista, ecologista, apartidários e contemporâneo como eu. Hoje eu já superei o conceito de esquerda e direita, pois estamos vivendo um outro momento. Nenhum dos dois deram conta dos problemas da sociedade, apenas prometeram.

Como o senhor vê a gestão atual?

Se eu achasse que fosse boa eu estaria no partido dele. Algumas pessoas têm a oportunidade de fazer mais pelo seu país. Em Cuiabá, o Mauro Mendes teve a sua, mas a cidade não mudou quase nada. Não tivemos avanços significativos. As obras da Copa estão aí e quem é culpado? O governo do Estado? Quem administra o município? Ele teria que ter feito a fiscalização e isso não é fazer crítica por crítica. Não sei se faltou diálogo, mas a cidade está carente, as coisas estão aí por fazer. Sempre digo que deveria ter eleição todo ano porque em ano de eleição começa a acontecer às coisas, mas isso é só de quatro em quatro anos. Temos que pensar a cidade para pelo menos os próximos 30 anos.

Com qual proposta virá a sua campanha em Cuiabá?

Em 2014, falei em um artigo sobre a abstenção eleitoral. Juntando os votos brancos e nulos, dava em torno de 30%. Isso quer dizer que os candidatos que estão ai não nós representam. Nós queremos trabalhar com esse público e também os 70% que estão cansados. A cidade completará 300 anos com problemas primários como o saneamento básico. O esgoto que dizem que coletar 70%, somente 25% são tratados. Temos aí grande parte jogada de forma in natura no rio. Nos últimos 15 anos, houve um aumento de 330% da frota de veículos em Cuiabá. Entre 2000 a 2015, tínhamos 125 mil veículos e em dezembro de 2015 já tínhamos 402 mil. Se pegarmos a quantidade da população e tirarmos as crianças, teremos um carro por habitante. Queremos chamar todos os setores, empresas, poder público, jJudiciário e cidadão para travar um grande diálogo.

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