Com gastos de cerca de R$ 1,5 milhão, Temer visita Lucas e evita protestos

Entrada rápida e saída ainda mais obscura, sem qualquer chance de aproximação – nem mesmo dos convidados presentes no recinto, Temer fez somente o mínimo e se retirou

Cadeiras amarradas, água em copos de plástico e limitados, controle total da imprensa em um cercadinho e seguranças por toda parte vigiando bem de perto quem ousava tentar fazer entrevistas com convidados. Esse era o cenário da visita do presidente Michel Temer ao lançamento da usina de milho em Lucas do Rio Verde. Estima-se que foram gastos em toda operação mais de um R$ 1,5 milhão com a visita do presidente.

Para cada passo dos repórteres mais ousados que conseguiram sair do tão limitado “cercadinho” havia, no mínimo, dois seguranças de ouvidos atentos. A reportagem do Fato e Notícia, inclusive, foi interceptada pelo grosseiro assessor da Presidência, dizendo por duas vezes que seria retirada do ambiente caso não se sentasse rapidamente.

Todo esse cenário pode ser facilmente justificado pela segurança do mais alto grau do Executivo nacional, embora há quem diga que tudo isso foi mesmo para impedir quaisquer tipos de manifestação contra Temer.

Isso sem lembrarmos que o raio de 6 km ao redor do encontro foi bloqueado pela Polícia Federal, deixando bem à margem os motoristas de caminhão que há cerca de 10 dias se manifestam contra os recentes aumentos de combustíveis, impostos pelo presidente.

Entrada triunfal em um helicóptero, rodeado das mais diversas autoridades, fala direta e sem nenhuma deixa para perguntas e saída ainda mais obscura. Para os jornalistas locais e até de âmbito nacional – já que era possível ver o auto escalão da Globo e repórteres do Valor Econômico, Estadão e Folha de São Paulo – nem mesmo esses conseguiram sequer uma declaração do presidente, apesar da pomposa sala reservada ao lado, que deixava se subentender uma possível coletiva de imprensa.

Esse mesmo modus operandi foi seguido pelas demais autoridades presentes. Com um discurso ameno, o governador Pedro Taques até que cobrou melhorias na logística do estado, mas também não poupou elogios ao presidente.

“Parabéns, presidente, pela coragem de fazer reformas tão importantes para os nossos país, mas agora é preciso avançar”, declarou no púlpito.

Elogios

Para o ministro Blairo Maggi, não faltaram mesmo afirmações de como o país tem avançado na nova gestão, sendo esta que o colocou no cargo de Ministro da Agricultura. Também em um tom de vitória e bastante contente em mostrar a prosperidade mato-grossense, Blairo não poupou adjetivos ao presidente.

“Agora que temos um trilho para seguirmos, com um chefe à altura, tenho a confiança de que Mato Grosso vai conquistar o seu tão lutado prestígio, já que há muito sustenta a balança comercial do país”, ponderou Maggi.

Já o presidente não poupou elogios próprios à sua gestão e, dado momento, até chegou a pedir aplausos à plateia que ouvia atentamente, mas que anteriormente ao início da cerimônia relevou à reportagem não estar tão feliz assim com a atuação do presidente, que teria errado profundamente com o aumento dos impostos dos combustíveis.

“Mais uma vez a classe produtiva paga o pato das contas do país. Somos tratados como destruidores da natureza, muitas vezes até como bandidos, mas só quando precisam lembram que nós somos essenciais para o país não quebrar”, enfatizou Werner Haroldo Kothrade, produtor rural renomado em Lucas do Rio Verde.

Nem mesmo esses percursos foram suficientes para abalar Temer, que realizou um discurso forte, audacioso e sem nenhuma modéstia.

“Nesses pouco mais de 14 meses de governo, convenhamos, fizemos o que não foi feito em 15 anos em nosso país. Nós apanhamos uma inflação no Brasil acima de 10% e ontem nós trouxemos a inflação para 3%”, disse em sua lista quase infinita de vitórias.

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