Eleições 2018: Macrorregião de Sinop deve decidir vencedor Estadual, diz especialista

Desafio de partidos é levar população as uras; Não votantes favorecem os caciques da política e não a renovação de candidatos

AS movimentações políticas para as eleições 2018 já estão a todo o vapor nos colégios eleitorais na Região Norte do Estado, apesar de oficialmente os candidatos só terem 45 dias antes do pleito para fazer campanha. A macrorregião de Sinop, que contempla mais de 30 municípios, será a responsável por eleger o governador do estado, de acordo com o cientista político João Edisom de Souza.

“Quem vencer na região Norte estará eleito com folga, isso porque existe uma divisão sociopolítica muito grande em Rondonópolis e Cuiabá que são duas regiões muito fortes. O Araguaia tem pouco impacto”, explicou.

O pleito em 2018 será realizado no dia 7 de outubro. No caso de 2º turno, será realizado no dia 28 do mesmo mês. Vale lembrar que as datas podem ser alteradas com a divulgação oficial do calendário eleitoral pelo TSE.

O especialista ainda explica que este movimento acontece porque nesta região o fator determinante da vitória ainda vem das forças produtivas, mantendo uma política cristalizada.

“Os nomes de reflexos nacional e estadual acabam passando sempre pelos mesmos nichos, vamos continuar ouvindo as mesas vozes. Isso acontece porque os candidatos não são determinados pela população, mas sim pela força econômica”, destacou.

O cientista ainda ressaltou que a legislação eleitoral não favorece a troca de nomes, “Mexerem na legislação inclusive para ter a manutenção dos caciques”.

Sobre as mudanças na população, após eventos políticos envolvendo prisões como a operação Lava Jato entre outras, o cientista ainda é muito descrente sobre o grande impacto nestas eleições.

“Esse impacto vem na micro eleição, porque ela acontece mais de maneira emocional com o contato do eleitor com o candidato, já na macro eleição, como isso não é possível, não temos tanto impacto. Isso não muda porque não tivemos uma cultura de mudança, a nossa população ainda é corrupta, ainda opta por furar a fila. Então, não tem como acontecer uma mudança profunda na política sem que isso esteja diretamente refletido na nossa sociedade”, explicou.

Com dois blocos fortes região norte movimenta colégios

Atualmente as principais lideranças da região norte estão nos blocos políticos liderados pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), capitaneado por Nilson Leitão, e Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), liderado por Carlos Bezerra em nível estadual.

Já em âmbito municipal, a primeira sigla é tem como presidente Fernando Assunção em Sinop. Para ele o maior desafio das próximas eleições está na dificuldade de levar o eleitorado nas urnas.

“As pessoas estão arredias para falar em política, mas precisamos entender que o único caminho de transformar é através do processo democrático. Vamos ter uma eleição atípica, que já vai selecionar os candidatos antes mesmo do registro da campanha”, ressalta.

Já sobre as alterações na legislação, Assunção vê as mudanças com positividade.

“Os partidos terão que ser construídos com um ideal, diminuindo legendas eleitoreiras. Traz uma seriedade mais forte”.

Já para o presidente municipal do PMDB, Jorge Yanai, o partido está consolidado em nível estadual e nacional, ainda que tenha sido citado na Lava Jato.

“Nós temos nomes em Sinop que podem perfeitamente pleitear cargos legislativos e majoritários, apesar de ainda termos que aguardar as definições da sigla”, ponderou.

Yanai ainda lembra que o Nortão sempre representou um peso na balança eleitoral muito grande, também por ser o segundo colégio eleitoral no estadual.

“O que acontece em Sinop acaba refletindo na região. As eleições do ano que vem trazem também um impacto econômico pela contribuição no PIB estadual. Eu sinto hoje que o governo não está atendendo a capacidade administrativa necessária  e isso vai interferir fortemente no resultado”, explicou.

 

Voto de protesto é uma má atitude

Sobre a tendência de anulação de votos e evasão das urnas, o cientista político João Edisom alerta que essa atitude na verdade só beneficia quem já está no poder.

“Muitos políticos investem pesado na criação de sensação de voto de protesto e abstenções para mudar o país, porque sabe que na verdade isso beneficia os nomes consolidados. O problema é que o nosso povo ainda é analfabeto político e não conhece as regras eleitorais”, destacou.

Votos válidos

Atualmente, vigora no pleito eleitoral o princípio da maioria absoluta de votos válidos, conforme a Constituição Federal e a Lei das Eleições. Este princípio considera apenas os votos válidos, que são os votos nominais e os de legenda, para os cálculos eleitorais, desconsiderando os votos em branco e os nulos.

A contagem dos votos de uma eleição está prevista na Constituição Federal de 1988 que diz: “é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os brancos e os nulos”.

Ou seja, os votos em branco e os nulos simplesmente não são contados. Por isso, apesar do mito, mesmo quando mais da metade dos votos forem nulos, não é possível cancelar uma eleição.

Como é possível notar, os votos nulos e brancos acabam constituindo apenas um direito de manifestação de descontentamento do eleitor, não tendo qualquer outra serventia para o pleito eleitoral, do ponto de vista das eleições majoritárias (eleições para presidente, governador e senador), em que o eleito é o candidato que obtiver a maioria simples (o maior número dos votos apurados) ou absoluta dos votos (mais da metade dos votos apurados, excluídos os votos em branco e os nulos).

 

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