Eleições 2018: sob o signo da corrupção

0
294
Fernando Roberto Souza/Divulgação.

O pleito de outubro de 2018 será bastante interessante porque estará sob a sombra dos efeitos da Operação Lava Jato. Não porque nunca tivemos eleições que estivessem com semelhante espectro rondando, mas nunca tivemos algo na proporção que tem mostrado as delações.

Os números são absurdamente surpreendentes. Tanto no número de investigados quanto nos valores envolvidos em desvios e propinas. “Nunca antes na história desse país” vimos algo de proporções bíblicas. A HECATOMBE provocada até agora promete alterar a configuração do jogo politico em 2018.

A principal eleição, a escolha do novo presidente da República, está em aberto. Os principais expoentes das principais siglas partidárias encontram-se envolvidas em denúncias de corrupção que inviabilizam qualquer projeto político para o próximo ano.

O PT encontra-se em frangalhos e aposta todas suas fichas na carcomida figura de Lula. Por incrível que pareça, o PT não consegue se rearticular enquanto principal partido de esquerda e, como em um filme de realismo fantástico, espera que o “messias” Lula ganhe as eleições e como em um passe de mágica salve o Brasil.

O PSDB encontra-se também enlameado em denúncias e, além das disputas internas, seu principal líder, Aécio Neves, também foi citado na DELAÇÃO DO FIM DO MUNDO e também precisa se explicar para o seu eleitorado o que seu nome faz nessa famosa lista.

O PMDB conduz um governo desastroso na figura de Michel Temer e seus aliados SUSPEITÍSSIMOS. Ao menos nove ministros do seu governo também foram citados pelos delatores da ODEBRECHT. A delação do fim do mundo tem a característica de ter sido bem “democrática”. Afinal de contas, quase todas as principais forças partidárias possuem nomes citados.

Pode-se deduzir que, diante de um quadro tão sórdido quanto um quadro de Caravaggio, em pouco mais de um ano iremos ás urnas com a triste convicção de que infelizmente o nosso sistema político partidário está MACULADO. O que em outras palavras significa dizer que os eleitos terão sua legitimidade em cheque.

Ficará sempre a pergunta: foi um candidato eleito por força e obra do dinheiro de PROPINA? A que interesses estará defendendo? Do povo ou de empreiteiros? Estaremos diante de uma imensa encruzilhada.

A nós, cidadãos, eleitores cabe tentar encontrar, em meio a esse cenário de terra arrasada, pessoas que de fato queiram militar na politica em nome do bem público e não em nome dos seus interesses.

Soa utópicas essas palavras, mas ainda prefiro acreditar no aperfeiçoamento de nossa combalida democracia a trilhar o caminho de aventuras AUTORITÁRIAS.

As eleições do próximo ano serão a oportunidade de iniciarmos um movimento na direção da DECÊNCIA em nossa política.

 

Fernando Roberto Souza Santos é advogado, historiador e Mestre em Política Social/UFMT. E-mail: fernandorobertosouzasantos@gmail.com

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA