Escuta ilegal do governo Taques faz corregedora pedir informação a juízes de MT

Corregedora-geral de Justiça, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro. Foto: Reprodução Blog Página do Enock

Juízes das varas criminais das comarcas do Estado de Mato Grosso deverão informar à Corregedoria Geral de Justiça os casos em que fizeram a apreciação de pedidos de interceptações telefônicas realizadas em processos.

A determinação está em um ofício assinado na segunda-feira (15/5) pela corregedora, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, diante das denúncias de escuta ilegal, feita pela cúpula da Polícia Militar de Mato Grosso (PM). Os magistrados têm 5 dias para informarem à Corregedoria.

As informações servirão para dar mais transparência sobre o popular “grampo” político desencadeado pela gestão Pedro Taques (PSDB). E reduzirá a pressão sobre o Judiciário. As informações foram repassadas pela assessoria da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Mato Grosso à Imprensa (TJMT).

Nas rodas sociais e políticas, o assunto é tido como grave e é questionado quem são os mandantes do crime de espionagem e quem o praticou.

O assunto tem demandado respostas dos poderes e já motivou iniciativa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso, conforme informou a deputada Janaina Riva (PMDB), uma das vítimas da escuta ilegal. Ela e demais deputados de oposição recolhem assinaturas desde segunda-feira para a CPI. São necessárias 8 assinaturas de deputados para protocolar o pedido da comissão e há 5 nomes a favor da investigação parlamentar.

A escuta ilegal foi praticada contra profissionais liberais, entre eles médicos, advogados, jornalistas, políticos e servidores públicos. O governador licenciado Pedro Taques pediu investigação do caso e disse desconhecer o assunto, que soube pela Imprensa. O governador está em viagem ao exterior.

Entenda o assunto

A espionagem clandestina foi revelada pelo ex-secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, com registro na Procuradoria Geral da República (MPF) em outubro de 2015. Zaque teria informado o governador, que não tomou providência. Ele optou por registrar denúncia formal no MPF, devido foro de prerrogativa do governador.

O assunto veio a público pelo governo estadual na quinta-feira passada (11/5). O comunicado do Palácio Paiaguás informou o tema como causa da queda do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques.

A nota explicou ainda que Paulo, primo do governador licenciado Pedro Taques, passou a defendê-lo. O governador está em viagem aos Estados Unidos. Ele negou conhecer a escuta ilegal e representou o ex-secretário autor da denúncia, além de solicitar investigações do Conselho Nacional do Ministério Público.

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