Ex-procurador nega benefício na propina de R$ 12 milhões recebida por Maggi

Ex-procurador-geral do Estado João Virgílio Sobrinho. Foto: Arquivo GCom-MT

O diretor da Odebrecht e delator na Operação Lava Jato, João Antônio Pacífico, afirmou em seu depoimento que o ex-secretário-adjunto estadual de Fazenda, Edmilson José dos Santos; o procurador aposentado Francisco Lima Filho, o Chico Lima; e o ex-procurador João Virgílio do Nascimento Sobrinho, teriam recebido R$ 990 mil.

No total, conforme o delator, foram pagos R$ 330 mil para cada um deles, para que fossem coniventes com pagamento de propina de R$ 12 milhões da empreiteira ao então governador  Blairo Maggi (PP), que concorria à reeleição no ano de 2006.

O ex-procurador João Virgílio negou, na manhã desta quarta-feira (19/4), em entrevista à Rádio Capital.

“Nunca participei de reuniões com essas pessoas, não tem nexo o que eles estão dizendo. Tanto, que eles não citam que eu tenham participado e que tenha recebido alguma coisa”, defende-se.

“No depoimento, alegam que o dinheiro seria para mim, mas não falam que eu fui pegar este dinheiro. Dizem que são atos de generosidade da empresa, é muito esquisito”, questiona.

O ex-procurador diz ainda que “esquisitamente na primeira declaração, quando o delator fala dos R$ 12 milhões, mas é perguntado sobre a conduta da procuradoria, fala que não tinha nenhum conhecimento de envolvimento da procuradoria. Então, posteriormente, vem e traz uma planilha dizendo que passou dinheiro para procuradores e secretário de fazenda”.

“Eu não cheguei aqui ontem, nasci neste Estado, tenho quase 40 anos de serviço público e infelizmente a gente está sendo arrastado e vai ter que se defender. O Direito é isso, uns acusam outros se defendem”, afirma o ex-procurador.

“Lembrando que ele é réu, que para sair da prisão diz de tudo, aumenta a história. Isso é legitima defesa do réu. Agora, também vai ter que arcar com as consequências quando ele acusa alguém, vai ter que provar”, completa.

Acusação

O ex-diretor da Odebrecht disse em um dos seus depoimentos que o ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Éder de Moraes, foi responsável pelo recebimento da propina paga pela construtora, que seria utilizada na reeleição do ex-governador, hoje ministro da Agricultura.

Na ocasião, conforme o delator, tanto Blairo, como seu coordenador de campanha, o ex-diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot, tinham conhecimento dos trâmites. Tanto Blairo como Pagot negam as acusações.

De acordo com o delator, havia codinomes para todos no esquema: Edmilson dos Santos era chamado de “Cofrinho” e João Virgílio de “Careca”. Já Chico Lima foi apelidado de “Manhoso”.

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