A lista de Riva e a podridão da política no Brasil

Fernando Roberto Souza/Divulgação.

O depoimento do ex-deputado Riva a Justiça de Mato Grosso na última semana é interessante por diversas razões, mas gostaria de centrar minha análise na que, creio ser, a mais importante de todas: a falência de nosso sistema politico eleitoral.

É sabido de todos que nossa política não tem sido uma das atividades mais confiáveis segundo a opinião do próprio eleitorado. Também é verdade que boa parte da população de Mato Grosso ou desconfiava ou tinha a certeza do que ocorria no Legislativo de Mato Grosso nada tinha de republicano.

As denúncias do ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso escancararam as entranhas de um PROPINODUTO que conduziu, segundo suas palavras, a “governabilidade” de pelo menos três governos que administraram o Estado nas últimas décadas.

Parece que foi revelado de que maneira governos que foram eleitos com uma base de sustentação no legislativo de dois, três deputados e que ao final de dois meses já gozavam de ampla maioria no Parlamento estadual.

Algo estarrecedor, se comprovadas tais acusações, é que em todo esse tempo todo os chamados órgãos de controle externo parecem nada terem visto ou fizeram vistas grossas a tamanho desmando.

O ex-deputado e agora condenado José Riva também trouxe para o centro do furacão de lama o próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). Segundo as denúncias, ali vigorava a todo vapor a política toma-lá-dá-cá.

As cadeiras de conselheiros eram praticamente “leiloadas” e quem tivesse mais bala na agulha levava a tão cobiçada vaga. A prática coloca em cheque a seriedade de um órgão que deveria pautar suas ações pela total lisura. Ao que parece, algum dos seus próprios membros já tomavam posse maculados pela lama da corrupção.

Esperamos que aqui não se repita o espetáculo deprimente do Rio de Janeiro, onde seis dos sete conselheiros estão envolvidos nas mais diferentes falcatruas.

A exposição da entranhas das relações entre o Legislativo e o Executivo de Mato Grosso, em sendo verdadeiras, só deixam claro que é urgente a mudança em nosso sistema politico partidário. Não será uma reforma a toque de caixa que sanará o problema. A corrupção que corroeu todo o sistema só será extirpada em definitivo quando levarmos a cabo uma profunda e séria alteração em nossas práticas politicas.

Não podemos mais aceitar como natural o CAIXA 2, O CONLUIO ENTRE EMPRESAS E PARTIDOS, O ACHAQUE QUE O PARLAMENTO FAZ COM O EXECUTIVO, O PODER EXECUTIVO QUE INCENTIVA ESSA PRÁTICA. Tudo isso deve ser coisa do passado sob pena de mantermos o Brasil na triste condição de um país pária no contexto das nações.

O ex-deputado Riva e seus comparsas são o produto de um país atrasado e que insiste em permanecer vivo entre nós. Um país DESIGUAL E PRECONCEITUOSO. Um país que precisa de uma vez por todas CRIAR VERGONHA NA CARA e livrar-se de figuras como José Riva para todo sempre. Punir com rigor esses facínoras ao invés de cultuá-los como heróis.

Que todos as “caixas pretas” desse Estado e do Brasil sejam abertas para que possamos expor para todos os verdadeiros ASSALTANTES DO BRASIL e que são responsáveis por toda nossa miséria e atraso.

Fernando Roberto Souza Santos é advogado, historiador e mestre em Política Social/UFMT. E-mail: fernandorobertosouzasantos@gmail.com

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