Maggi afirma inocência e diz que é candidato à reeleição ao Senado

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Ministro Blairo Maggi em audiência. Foto: Marcos Porto

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP), se manifestou sobre o suposto recebimento de propina para bancar sua reeleição ao governo do Estado em 2006. Até então ele havia falado apenas por meio de Nota. Maggi negou o benefício na manhã desta terça-feira (18/4), em entrevista à Rádio Capital, e ainda disse que será candidato à reeleição ao Senado Federal nas eleições de 2018.

“Meus projetos continuam os mesmos, não vou mudar toda a minha vida porque de um dia para outro surgiu uma coisa inesperada”.

O nome dele apareceu na lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, que abriu inquérito. O que significa que a partir de agora ele está sendo investigado por crimes como corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-diretor da Odebrecht, João Antônio Pacífico Ferreira, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse em um dos seus depoimentos que o ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Éder de Moraes, foi responsável pelo recebimento da propina paga pela construtora, que seria utilizada na reeleição do ex-governador, hoje ministro da Agricultura.

Na ocasião, conforme o delator, o total repassado teria sido R$ 12 milhões e tanto Blairo como seu coordenador de Campanha, o ex-diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot, tinha conhecimento.

Informações

De acordo com Maggi, ele havia demorado em se manifestar publicamente sobre o caso porque ainda precisava tomar conhecimento e saber de algumas informações.

“Eu jamais pensei estar em uma lista dessas, isso porque nunca tive relações com este pessoal e continuo na mesma tese. Ou seja, reafirmo que nunca tive relações com eles, que não mandaram dinheiro para a minha campanha e que nunca autorizei que fosse cobrado dinheiro de ninguém”

Maggi diz que foi pego totalmente de surpresa e que ficou abalado. “Confesso que é uma situação inusitada, muito ruim, que desmonta a gente. Hoje estou absolutamente derrotado internamente e tenho que fazer um esforço gigante para poder estar de pé, estar trabalhando e fazendo os enfrentamentos. Mas, isso faz parte da vida e não tem como a gente fugir desses assuntos. Portanto, como havia dito lá atrás, eu continuo afirmando que não tenho nada a ver com isso, não fiz e não autorizei. E tenho certeza que este dinheiro não chegou na minha campanha.”

Éder de Moraes

O ministro Blairo Maggi afirma também que não tinha absolutamente nenhuma relação com o seu secretário de Estado de Fazenda, Éder de Moraes, no que se refere à sua campanha eleitoral.

“O então presidente da MT Fomento (cargo ocupado por Éder na época) não tinha participação na minha campanha eleitoral, nunca fez parte de nenhuma comissão, não fez parte de arrecadação. Enfim, ele não tinha qualquer função dentro da campanha em 2016. Disso eu tenha certeza absoluta, é só conversar com as pessoas que estavam próximas para saber qual era o papel de cada um ali dentro”.

Conforme o ministro, estão sendo levantados alguns números para contrapor o que está sendo colocado nos depoimentos dos delatores. Segundo ele, está comprovado que havia uma dívida com a Odebrecht.

“Consta uma dívida de um pouco mais de R$ 21 milhões junto a este empresa, que foi paga em sete parcelas a partir de dezembro de 2006.Ou seja, em um período bem fora da campanha eleitoral. Pagamentos estes, realizados até 13-04 de 2007, que na época representou um pouco mais que 18 milhões”.

Segundo Maggi, confrontando as narrativas dos delatores com os dados levantados por ele até agora, se percebe que eles não batem (coincidem).

“Dessa forma, não restam dúvidas que esse dinheiro não chegou para a minha campanha, já que foram pagos em 2007. Isso porque os números não fecham e as datas não fecham. Portanto, o delator tem a liberdade de falar o que quiser. Agora em um segundo momento ele terá que ter números, provas, documentos, quem pegou dinheiro, quem não pegou, onde foi, quanto foi. Enfim, ele vai ter que confrontar. E, eu digo que nunca dei autorização para este tipo de situação”.

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