Mato Grosso e um governo que já nasceu velho

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Fernando Roberto Souza/Divulgação.

Fim de semana o secretário de Fazenda de Mato Grosso concedeu entrevista a um site de notícias local, onde fez algumas ponderações interessantes e que passarei a tecer algumas considerações.

Primeiramente, a chamada da entrevista já trás algo bem conhecido de nós brasileiros: o preço do ARROCHO será pago por todos nós pobres mortais. Nada de novo na assertiva do secretário. Desde sempre quem pagou as AVENTURAS dos nossos governantes sempre foi o povo brasileiro. O que eu esperava de novo na análise do secretário era ela trazer uma saída criativa para a atual crise. Não. O que ele REPETIU foi o velho chavão: CORTES DE DESPESAS principalmente em programas sociais.

Outro ponto da entrevista que me chamou atenção foi o fato das palavras do secretário consolidar uma crença minha a respeito do atual governo. A despeito de ter sido eleito sob o manto da TRANSFORMAÇÃO, em linhas gerais, o governo Pedro Taques nada mais é que o continuísmo das velhas práticas políticas.

Não se enxerga um traço de inovação tão prometida durante a campanha. As palavras do secretário de Fazenda parecem ter sido resgatadas de um outro momento da história de Mato Grosso, onde se acreditava que seríamos um Estado do futuro. Mas esse futuro teima em não chegar por conta também de governos inoperantes e sem nenhum projeto com vistas a ampliar a vocação econômica em outras áreas.

Muito triste ler que somos ainda uma economia dependente de uma só matriz que é o agronegócio. Nas palavras do secretário, o setor é responsável por praticamente 80% de nossa balança comercial. TRISTE não por ser o agronegócio em si, mas por nossos gestores não se empenharem em construírem projetos com vistas a DINAMIZAR nossa economia para que a mesma consiga em períodos de crise sair do atoleiro com mais rapidez. Para que a população do Estado possa receber políticas públicas DECENTES e não ESMOLAS por meio de CARAVANAS assistencialistas.

O Brasil de hoje não carece somente de uma Reforma Política, mas de líderes e gestores com uma nova mentalidade no que diz respeito ao Estado e suas responsabilidades para com o cidadão. Quando li a entrevista entendi que essa carência afeta até mesmo jovens profissionais que se colocam a serviço do Estado, mas que, ao invés de trazerem novos ventos que possam modificar as velhas práticas, o que vemos na prática são velhos conceitos, velhas soluções travestidas de inovações.

O que de novo existe em ARROCHAR a população com aumento da carga tributária? Que de novo existe em suspender INCENTIVOS FISCAIS para alguns e agraciar os AMIGOS DO REI (GOVERNADOR) com outras benesses pagas pelo Erário Público? Que de novo existe em cortar PROGRAMAS SOCIAIS ? Que de novo existe em um governo que não passa de uma PEÇA PUBLICITÁRIA DE MAU GOSTO ?

Finalizando, me lembrei das nossas estradas. As que foram feitas pelos romanos há mais de um milênio ainda existem enquanto as nossas duram até a primeira chuva. O secretário de Fazenda que tanto elogiou o setor do agronegócio esqueceu de dizer que o atual governo continua a mesma politica dos seus antecessores, qual seja, de não priorizar a construção e manutenção das rodovias. Todos os anos são mostrados a situação calamitosa em que ficam nossas estradas, escoadouro da produção. Verdadeiras crateras cheias de lama. Um imenso chiqueiro a céu aberto.

Assim terminei a leitura da entrevista com a triste constatação de algo que já sabia. O atual governo ainda NÃO COMEÇOU e nem DISSE A QUE VEIO.

Pobre Mato Grosso !

Fernando Roberto Souza Santos é advogado, historiador e mestre em Política Social pelo PPGPS/MT. E-mail:
fernandorobertosouzasantos@gmail.com

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