Ministro Fux retira sigilo da delação de Silval e abre inquérito contra Blairo Maggi

Fux abre inquérito contra Blairo e parentes de Silval | Imagem Divulgação

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada do sigilo da delação de Silval Barbosa (PMDB), ex-governador do Mato Grosso, e autorizou a abertura de um inquérito para apurar uma organização criminosa que se instalou na alta cúpula do governo do Mato Grosso, de acordo com o relato do procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Embora a totalidade dos investigados no inquérito não tenha sido revelada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, como líder da suposta organização criminosa.

“Entre os agentes políticos, destaca-se a figura de Blairo Borges Maggi, o qual exercia incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio Silval Barbosa e José Geraldo Riva”, afirma Janot no pedido de abertura de inquérito, autorizado por Luz Fux.

A decisão de Fux foi tomada nesta quinta-feira (24) e atende ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro Fux havia homologou (validou) a delação no dia 9 de agosto, uma semana após de ter dito que ela seria “monstruosa”.

Segundo Janot, Silval Barbosa “menciona fatos típicos praticados por autoridades detentoras de prerrogativa de foro, dentre elas o Deputado Federal Ezequiel Fonseca, Deputado Federal Carlos Bezerra, o Senador da República José Aparecido Santos, o Senador da República Wellington Fagundes e o Ministro de Estado e Senador da República licenciado Blairo Borges Maggi”.

A PGR afirma que, segundo Silval, seu ex-chefe de gabinete Sílvio Cezar Correa Araújo, entre 2007 e 2010, praticou “inúmeros crimes contra a administração e lavagem de dinheiro”.

Silvio Cézar Correa Araújo é uma das outras quatro pessoas a firmarem acordo de delação premiada, além de Silval Barbosa. Os outros delatores são Roseli de Fátima Meira Barbosa, esposa do ex-governador do Mato Grosso, Rodrigo da Cunha Barbosa e Antônio da Cunha Barbosa.

Vídeo

Como forma de corroboração à sua delação premiada, Silval Barbosa (PMDB) entregou à Procuradoria-Geral da República vídeos que mostram políticos do estado recebendo dinheiro vivo, veiculados no Jornal Nacional nesta quinta-feira, 24.

O ex-governador alega que as gravações foram feitas pelo então chefe de gabinete Silvio Cesar. De acordo com Silval, ele era o funcionário responsável por entregar os valores. O dinheiro, segundo o ex-governador, era de esquemas de propina no estado.

Entre os políticos flagrados nas imagens estão o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), que chegou a colocar tantas notas em seus bolsos que parte delas caiu no chão. O vídeo mostra Emanuel agachando-se para juntar as cédulas espalhadas.

O deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) aparece nas imagens às quais a Rede Globo teve acesso recebendo o dinheiro em uma caixa de papelão. O então deputado estadual Hermínio Barreto (PR) é flagrado com os maços em uma mala. A atual prefeita de Juara (MT), Luciane Bezerra (PSB) também pode ser identificada no vídeo levando o dinheiro na bolsa. O ex-deputado estadual Alexandre César (PT) aparece levando notas em uma mochila.

Ministro

Em nota da assessoria, o ex-governador e ministro Blairo Maggi, rebateu as acusações contra ele. Repetiu os argumentos anteriores de “estranheza e indignação” sobre o acordo de colaboração premiada  de Silval que “colocam em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública”.

Blairo disse que fez ou atorizou atos ilíticos em seu governo e nem pagou e nem foram feitos pagamentos para terceiros. “Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas”, informou.

Ele também disse que recebe com tranquilidade a abertura do inquérito, uma oportunidade para se defender. “Entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade.”

 

(Com Informações do Estadão e site Consultoria Eleitoral)

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