Reforma da Previdência: do engodo à realidade

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Fernando Roberto Souza/Divulgação.

Assunto que tem pautado as discussões pelo país afora, além da Operação Lava Jato, a proposta de reforma da Previdência tem provocado debates acalorados. Afinal de contas é algo que mexe com a vida de praticamente todos os brasileiros. De um lado você tem o atual governo argumentando uma pretensa “quebra” no sistema previdenciário caso a reforma não seja implementada, e de outro os trabalhadores assistindo a cada dia seus direitos sendo retirados.

A pauta previdenciária é algo que provoca debates profundos no mundo todo. Praticamente todos os países desenvolvidos já passaram por isso, pois é necessário manter o equilíbrio entre os que trabalham e os que serão sustentados pelos que se mantiverem produtivos.

A verdade é que os Estados necessitam encontrar saídas para manter esse equilíbrio, mas o que ocorre no Brasil beira a velha política de tentar aprovar medidas tão impactantes a toque de caixa: sem discussão, sem debate. Sob a desculpa de que a Federação como um todo está fadada a QUEBRADEIRA geral, a equipe do presidente Temer tenta criar um clima de TERROR com o claro objetivo de focalizar tão somente na questão do financiamento previdenciário sem discutir todas as faces do problema.

Em recente palestra proferida pelo ministro da Fazenda Henrique Meireles, ele foi enfático ao dizer que se pudesse faria como em outros países em que “reduziram até mesmo os valores das aposentadorias já em vigor…”. Ou seja, seu desejo é mesmo de mandar às favas os Direitos e Garantias Individuais em nome de um FALSO EQUILÍBRIO DE CONTAS PÚBLICAS.

Um dos pontos omitidos pelo governo federal e também pelos governadores é explicar para a população como as contas públicas chegaram a esse estado de penúria. Como explicar que Estados como o Rio de Janeiro, que durante anos recebeu bilhões em investimentos públicos e privado, hoje vive um estado de calamidade pública, onde não se tem nem papel higiênico nos banheiros da Universidade do Estado?

Uma das respostas talvez esteja no fato de que durante um bom tempo o Rio de Janeiro tenha sido governado por UMA QUADRILHA (a exemplo de Mato Grosso também). Essa quadrilha possuía vínculos estreitos com o governo federal que também era (e ainda o é) comandado por uma CAMARILHA DE RATOS que se fartaram com o dinheiro saqueado da PETROBRAS e outros órgãos públicos. Ou seja, os principais responsáveis pela calamidade nas contas públicas são os mesmos que foram beneficiados pela roubalheira e hoje posam de “estadistas “ preocupados com o BEM PÚBLICO.

Essas verdades quando expostas são colocadas de maneira desvinculadas, como se não houvesse nenhum nexo entre estes problemas aqui elencados. Ocorre que tudo faz parte de um mesmo contexto. O contexto de um país que continua a ser governado por pessoas descompromissadas com a PROBIDADE E A SERIEDADE na Administração Pública. Pessoas que agora desejam extirpar direitos para tentar tapar o ROMBO provocado por eles mesmos.

A receita hoje proposta pelo governo federal é velha, ultrapassada e choca de frente com direitos assegurados na Constituição da República. Querem, por meio de manobras, dentro do Parlamento, afrontar o povo brasileiro com a desculpa de que precisam colocar a “casa em ordem”. A reforma da Previdência deve ser debatida com profundidade e seriedade e vir acompanhada do debate de outras reformas que tanto bem trariam ao Brasil. Chega de engodo. A VERDADEIRA HISTÓRIA DA PREVIDÊNCIA precisa ser contada com urgência ao cidadão.

Fernando Roberto Souza Santos é advogado, historiador e mestre em Política Social/UFMT. E-mail; fernandorobertosouzasantos@gmail.com

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