Silval diz que ele e Maggi pagaram R$ 6 milhões para mudar versão de Eder em esquema de corrupção

Silval denuncia Blairo Maggi (PP) em participação na montagem de um esquema de corrupção. Foto: Assessoria.

O ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), delatou à Procuradoria Geral da República em Brasília que ele e o ex-governador e ministro Blairo Maggi (PP) pagaram R$ 6 milhões para o ex-secretário dos seus governos, Eder Moraes, mudar versão da delação ao Ministério Público em Mato Grosso, quanto à compra de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

A delação de Silval também atinge dois senadores, deputados federais e deputados estaduais. A informação foi divulgada pelo Jornal Nacional da Rede Globo, nesta sexta-feira (11/7). Eder havia pedido R$ 12 milhões aos dois, mas eles negociaram a metade, com o acordo de cada um pagar 50% do acordado, ou seja R$ 3 milhões. A delação de Silval foi homologada na quarta-feira (9/7).

A proposta para mudar a delação de Eder foi para preservar o ex-governador e ministro Maggi em processo. Eder havia dito aos dois ex-governadores em 2009 que tinha interesse na compra de uma vaga no TCE-MT. Ele foi preterido depois.

Silval foi vice-governador de Maggi entre 2007 e 2010, quando assumiu o governo e Maggi concorreu e ganhou uma das vagas ao Senado. Maggi esteve na sexta-feira em inauguração de fábrica de etanol em Lucas do Rio Verde (MT) com o presidente Michel Temer (PMDB-SP).

Eder disse em janeiro de 2015 em entrevista à TV Centro América (Globo) disse que havia mentido. “Eu estava tomado por emoção e não havia sido atendido para uma vaga no Tribunal de Mato Grosso, para a qual eu era qualificado. Isso fez com que eu colocasse palavras e depois retratei dela em nova versão”, disse Eder há dois anos e meio.

Maggi e Silval pagaram R$ 3 milhões cada para convencer Eder Moraes a mudar a versão em sua delação. A parte de Silval foi paga por meio do ex-chefe de gabinete seu, Sílvio Corrêa, o que incluiu uma dívida de R$ 800 mil de Eder. Já Maggi pagou sua parte por meio do diretor do jornal “Diário de Cuiabá”, Gustavo Capilé Oliveira. Ele atuou na campanha de Maggi em 2006.

Em maio de 2016 o Supremo Tribunal Federal (STF) arquivou o processo contra Maggi, investigado na Operação Lava Jato por receber R$ 12 milhões a sua campanha à reeleição de 2006. Eder é personagem político conhecido em Mato Grosso e é investigado em diversos processos. Atualmente está em prisão domiciliar monitorada.

Ele é processado na Operação Ararath, que investiga desvio de recursos do governo por meio do grupo Amazônia Petróleo, como banco clandestino e lavagem de dinheiro.

Maggi levou Eder para o governo para dirigir a agência de fomento estadual (MT Fomento). Depois, ele galgou os postos dos Maggi (secretário de Fazenda) e governo Silval como secretário da Casa Civil.

Senadores

O x-governador Silval afirma que pagou parte de dinheiro de uma construtora do programa de pavimentação da sua gestão ao senador Wellington Fagundes (PR) e parte de dívida da sua campanha.

O ex-governador também implicou o senador Cidinho dos Santos (PR), sucessor de Blairo Maggi no Senado após ele ser nomeado ministro por Temer. Welington e Cidinho negam esquema de corrupção e que só vão se pronunciar após terem acesso ao teor da delação de Silval.

Ministro

O ministro Blairo Maggi afirmou que em nota, por meio da sua assessoria, que nunca agiu ou autorizou ninguém a agir de forma ilícita dentro do governo ou para obstruir a Justiça. Afirmou, ainda, que não fez e nem autorizou pagamentos a Eder Moraes, segundo o portal G1.

Blairo disse também que jamais autorizou meios ilícitos na sua vida pública ou em suas empresas. Ele lamentou ataques à sua reputação e afirmou que está com a consciência tranquila sobre suas ações, informou o portal.

A defesa de Silval Barbosa não quis comentar o teor da delação. A defesa de Sílvio Cesar Corrêa Araújo afirmou que ele tinha uma relação muito próxima a Silval e que apenas cumpria ordens. A TV Globo não conseguiu contato com Eder Moraes e Gustavo Capilé.

(Com informações do G1, Jornal Nacional e GloboNews)

 

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