Sinop: Câmara encerra ano sem respostas de corregedoria sobre denúncias na Casa

Suspeita de casos de entrega de materiais irregulares, diversas denúncias de nepotismo e entrega de cestas básicas não foram suficientes para abrir investigação. Somente “mensalinho” foi apurado.

Visivelmente irritado e em alto tom, o corregedor da Câmara, vereador Luciano Chitolina, falou sobre seus motivos de não abertura de investigação nas diversas denúncias protocoladas na casa de leis em 2017, e amplamente divulgadas pela mídia. De acordo com o corregedor, devido ele ter aberto uma investigação que culminou na cassação do ex-vereador Fernando Brandão, as denúncias seguintes foram feitas em enxurradas querendo que a corregedoria promovesse uma “caça às bruxas”.

“Eu procurei apoio jurídico renomado na cidade que, na maioria dos casos, orientou-me que não era na Câmara onde estes assuntos teriam que ser avaliados, mas sim em outras esferas. Eu não vou sair abrindo investigação por abrir, só porque querem. A mídia fica me acusando de prevaricar, então porque não faz denúncia no Ministério Público? Aqui a esfera é legislativa, sou corregedor da Câmara, lido com conduta parlamentar apenas”, desabafou.

Dentre as denúncias citadas pelo corregedor e questionadas novamente pela reportagem, estão: 

– A presença de caminhões da empresa J. Testa, durante a manhã do dia 04 de agosto. Na ocasião, a empresa – de propriedade do vereador eleito e ainda em exercício Joacir Testa – estaria entregando materiais, aparentemente pedras de jardinagem, na Câmara. O vereador Luciano Chitolina (PSDB), corregedor da Câmara de Vereadores de Sinop, anunciou que não daria andamento nas investigações do caso de entrega de materiais. De acordo com o corregedor, o fato foi isolado. 

– Os vereadores Billy Dal Bosco (PR) e Lindomar Ferreira Guida (PMDB) foram denunciados no dia 16 de outubro, ao corregedor da Câmara, Luciano Chitolina (PSDB), por suposta prática de nepotismo e quebra de decoro parlamentar. A acusação do advogado Vilson Paulo Vargas é que alguns familiares dos dois foram, supostamente, contratados pela Adesco (Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Centro Oeste), que presta serviço para a prefeitura há vários anos, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). 

– O vereador Tony Lennon (PMDB) denunciou em um programa de TV onde é apresentador que vereadores (sem excluir nem mesmo o seu nome) estariam dando cestas básicas de maneira irregular. Questionado pelo vereador Ícaro Frâncio Severo (PSDB) sobre quem seria o parlamentar, Lennon mostrou em púlpito uma suposta foto do ato, mas de novo não revelou o nome do envolvido.

– O advogado Vilson Paulo Vargas, ainda lembrou que também protocolou na Casa denúncia de nepotismo relacionada à líder da prefeita na Câmara, vereadora professora Branca, dando conta que o seu marido, Marcio Cruz, ocupa cargo comissionado na Secretaria de Obras do Munícipio.

Denuncia efetivada e finalizada

A única investigação aberta pela corregedoria foi a primeira denúncia e mais grave dando conta de que servidores comissionados do vereador Fernando Brandão (PR), lotados na Câmara Municipal de Sinop, acusam o parlamentar de cobrar “caixinha” dos funcionários. De acordo com o relato, os valores teriam que ser repassados mensalmente. A investigação foi oficializada pelo corregedor no dia 17 de abril de 2017 e culminou na cassação de Brandão.

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