Vazio sanitário inicia e por 90 dias não se pode plantar soja em Mato Grosso

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Na safra passada, no mesmo período, este percentual passava dos 30%. Foto- Divulgação.

O estado de Mato Grosso está no denominado período proibitivo para o plantio da soja, o chamado vazio sanitário. Este, iniciou no dia 15 de junho e estabelece que por 90 dias os produtores rurais estão proibidos de plantar soja e ainda precisam eliminar a soja guaxa, também conhecida como tiguera, que pode nascer de forma voluntária.

A medida, regulamentada por Lei, busca evitar que o fungo causador da ferrugem asiática se multiplique. A intensão é impedir que a ferrugem asiática não encontre um local apropriado para sobreviver e se disseminar na próxima safra.

De acordo com Endrigo Dalcin, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), é preciso lembrar que a ferrugem asiática é a principal doença da soja e o vazio sanitário trouxe segurança para que não haja soja guaxa. Assim, contribuindo para o manejo e eficiência das moléculas que estão disponíveis no mercado para controle químico.

os produtores rurais estão proibidos de plantar soja e ainda precisam eliminar a soja guaxa. Foto: Divulgação.

Conforme Thiago Augusto Tunes, coordenador de Defesa Sanitária Vegetal do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), a meta este ano é superar o número de fiscalizações realizadas em 2016, cerca de 6.000. São 10.761 propriedades produtoras de soja cadastradas, e uma área plantada em torno de 9,3 milhões de hectares. O indea é órgão responsável pelas fiscalizações nas propriedades rurais.

O vazio sanitário da soja foi instituído em Mato Grosso, como medida fitossanitária desde 2006. O coordenador de Defesa Sanitária faz um alerta aos produtores, quanto ao controle de plantas guaxas.

“Estatisticamente, nos anos chuvosos como este, são onde temos uma maior ocorrência de propriedades com planta guaxa de soja e, consequentemente, um maior número de autuações. Os produtores tem que estar atentos e realizar o controle dessas plantas. O clima úmido propicia a sobrevivência da planta e, assim, cria a chamada ponte verde”. Tunes destaca ainda que desde o dia 15 de junho, apesar de ter sido feriado, as equipes já estavam em campo, realizando a fiscalizando.

O Indea tem um importante canal de comunicação, a Ouvidoria, pelo 0800 647 9990 e a Ouvidoria Geral do Estado pelo endereço eletrônico: www.ouvidoria.mt.gov.br/mensagem.php, que são ferramentas que podem ser usadas no período do vazio sanitário da soja, como um meio de contribuir com a fiscalização.

os produtores rurais estão proibidos de plantar soja por 90 dias. Foto – Divulgação.

Além de ser um canal para receber sugestões e solicitações do cidadão, a Ouvidoria está disponível para receber denúncias como o não cumprimento do vazio sanitário da soja. A multa para quem descumprir o período é de 30 Unidade Padrão Fiscal (UPF-MT), mais 2 UPF por hectare de planta não eliminada. Consulte o valor da UPF na página da Secretaria de Fazenda (Sefaz).

Campanha

Neste ano, a campanha sobre o vazio sanitário é atrelada à campanha antirresistência. A ação é uma realização da Aprosoja e da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e tem como apoiadores o Fungicide Resistance Action Committee (FRAC), o Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas (Irac, na sigla em inglês) e a Associação Brasileira de Ação à Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas (HRAC).

A Instrução Normativa 02/2015, publicada de forma conjunta pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e Instituto de Defesa Agropecuária (Indea-MT), calendariza o cultivo de soja no estado.

Além do vazio sanitário, o agricultor também precisa estar atento ao período da janela de semeadura, que é de 16 de setembro a 31 de dezembro, e ao período de colheita, que pode ser realizada até o dia 5 de maio.

Ferrugem

A ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizie, é uma das doenças de maior importância da cultura da soja na atualidade, pelo grande potencial perdas na produtividade. Originária da Ásia onde, ocorre em diversos países da Ásia e na Austrália. Além da ferrugem asiática, a soja pode ser atacada pela ferrugem americana causada porPhakopsora meibomiae, sendo esta sem importância econômica.

A ferrugem asiática foi relatada pela primeira vez no Japão, em 1903. Posteriormente foi constatada em outros países da Ásia e na Austrália em 1934, na Índia em 1951 e no Havaí em 1994. No Continente Africano, foi detectada a partir de 1996, atingindo a Zâmbia e o Zimbábue em 1998, a Nigéria em 1999, Moçambique em 2000 e a África do Sul em 2001.

ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizie.

Na América do Sul surgiu em 2001, infectando campos no Paraguai, e, em 2002, na Argentina. Em novembro de 2004, a ferrugem asiática foi encontrada infectando campos de soja nos Estados Unidos, o último grande país produtor de soja onde ainda não havia sido encontrada a doença.

No Brasil, a doença foi encontrada no final da safra de 2000/2001, no estado do Paraná, e vem aumentando sua área de ocorrência a cada ano, disseminando-se rapidamente para outros Estados do Brasil. Na safra 2002, a doença foi relatada nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, e na safra 2003/04 ocorreu de forma generalizada, em quase todo o País, causando prejuízos consideráveis em várias regiões produtoras.

A ferrugem é atualmente um dos maiores problemas da cultura na região dos Cerrados Brasileiros, especialmente em Mato Grosso, onde têm sido necessárias excessivas pulverizações de fungicidas para controlar a doença. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com exceção de Roraima, todos os Estados que possuem cultivo de soja já foram atingidos pela doença, envolvendo uma área de 22 milhões de hectares.

 

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