Nem Lágrima Nem Dor, novo disco de Eliana Pittman, que completa 80 anos em agosto, coloca o repertório de Jorge Aragão em uma fusão de gêneros — não tão perto do samba, mas longe de uma leitura que descaracterize as canções do sambista.
Aragão tem um samba contemporâneo, o que o torna mais palpável para trabalhar com arranjos ousados e modernos. Pittman, por sua vez, tem voz de crooner, maleável e bem postada.
Assim, o disco funciona bem para as canções conhecidas na voz de Jorge Aragão. Com a produção de Rodrigo Campos e metais sob a direção de Thiago França, a voz de Eliana encontra diversos gêneros sofisticados fora do samba tradiconal, como o jazz e a bossa.
Das nove faixas, somente a oitava, Do Fundo do Nosso Quintal (Jorge Aragão e Alberto Souza), tem uma levada mais remetida ao samba.
O álbum é formado pelas músicas Lucidez (Jorge Aragão e Cleber Augusto), Eu e Você Sempre (Jorge Aragão e Flávio Cardoso), Novo Endereço (Jorge Aragão e Sombrinha), Loucuras de uma Paixão (Alcino Ferreira e Mauro Diniz), Tendência (Jorge Aragão e Yvonne Lara), Minta meu Sonho (Jorge Aragão), Além da Razão (Sombrinha, Sombra e Luiz Carlos da Vila) e Papel de pão (Christiano Fagundes).
Para lembrar seus 80 anos, a cantora Eliana Pittman terá ainda o lançamento de uma biografia e de um álbum de jazz. Sua carreira, iniciada em 1961, também foi sólida no exterior. Ela gravou mais de 20 discos e foi do samba ao carimbó, passando pela MPB e por ritmos nordestinos, firmando-se como uma impressionante voz a serviço de diferentes gêneros da música brasileira.