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    Na mira de Trump, China reage para vencer a guerra tarifária (e pode beneficiar o Brasil) – Mundo – CartaCapital

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    Pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar no Rose Garden da Casa Branca, na quarta-feira 2, o mais agressivo pacote tarifário da história recente — medida que reforça sua intenção de desmantelar a ordem de comércio global —, a reação da China veio à altura. Em comunicado, o Ministério do Comércio do país afirmou se opor “firmemente” à decisão, que, segundo Pequim, rompe com décadas de negociações em busca de equilíbrio nas relações comerciais.

    A China é, justamente, o principal alvo do governo Trump. O crescimento acelerado da economia chinesa nas últimas décadas é apontado como uma das razões da vitória eleitoral do republicano em 2016, sustentada por trabalhadores americanos que se veem ameaçados por uma ordem econômica que os EUA, embora ainda centrais, já não controlam como antes.

    Com a decisão, produtos chineses passarão a ser taxados em 34%. O percentual supera largamente o imposto de 10% aplicado a países como Brasil e Argentina. Somado a uma tarifa de 20% já em vigor, o total alcança 54% — patamar próximo dos 60% prometidos por Trump durante a campanha. A taxação incidirá sobre os cerca de 500 bilhões de dólares que a China exporta anualmente aos EUA.

    Ao classificar a medida como uma “prática unilateral típica de intimidação”, o Ministério do Comércio chinês afirmou que as tarifas ferem normas do comércio internacional e prejudicam “gravemente os direitos e interesses legítimos das partes envolvidas”.

    Redesenho global

    A atual guerra comercial vai além da seleção de parceiros ou rivais. Reflete uma mudança estrutural na forma como as nações compram e vendem entre si. Para a China, o desafio fundamental passa a ser a reorganização. Retaliações podem incluir tarifas sobre produtos norte-americanos ou barreiras a setores específicos da economia, como o de tecnologia.

    Mas a disputa não se restringe aos dois gigantes. Maior exportadora mundial, com superávit de 1 trilhão de dólares em 2024 — alta de 21% em relação ao ano anterior —, a China terá de redirecionar seu fluxo comercial. A resposta a Trump deve redefinir rotas e regras do comércio global.

    Os presidentes Xi Jinping (China) e Donald Trump (Estados Unidos). Foto: AFP

    Segundo Paulo Gala, professor da Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Brasil tende a ser beneficiado por uma eventual retaliação chinesa. “Os produtos americanos ficariam mais caros na China, e os brasileiros, mais baratos”, resume.

    Esse movimento já está em curso. Desde março, Pequim aplica tarifas de 15% sobre carne de frango, trigo, milho e algodão dos EUA. Carne bovina, sorgo e soja foram sobretaxados em 10%. O Brasil acompanha essas mudanças como o maior exportador global de soja.

    O caso da soja ilustra bem o impacto da tensão. Desde 2018, com o início da guerra comercial ainda no primeiro mandato de Trump, as vendas de soja dos EUA à China despencaram. Em contrapartida, as exportações brasileiras cresceram. Apenas entre janeiro e fevereiro deste ano, 79% da soja exportada pelo Brasil teve como destino a China — aumento de 4% na comparação com o mesmo período de 2024, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

    Para Gala, a menor dependência chinesa do setor agrícola norte-americano fortalece a posição de Pequim. “A China hoje depende muito menos dos EUA do que há dez anos. Ainda há relevância, mas ela tem o mundo inteiro como mercado. As tarifas vão prejudicar mais os EUA e a Ásia do que a China.”

    O fim de uma era?

    Para Samuel Spellmann, coordenador do curso de especialização em China Contemporânea da PUC-MG, os movimentos do governo Trump simbolizam o colapso do Acordo de Bretton Woods, que norteou a economia global desde a Segunda Guerra Mundial. “Não é o fim dos EUA, mas há uma busca por diversificação entre os países em desenvolvimento, com novos centros regionais ganhando protagonismo”, diz.

    Spellmann pondera, no entanto, que ainda é cedo para declarar o início de um “século chinês”. “A China se tornou uma potência. Lidera o Sul Global e será o centro da economia mundial em alguns anos. Mas o século ainda está em aberto”, conclui.

    Informações são do site Carta Capital, Clique aqui

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