O movimento paredista foi suspenso nesta quinta-feira (3), após a realização da mesa de negociação entre o prefeito Murilo Félix e os sindicatos que representam os servidores municipais. O encontro, que inicialmente estava previsto para quarta-feira (2), contou com a presença de dirigentes do SINDSEL, da Apeoesp e do Sinde-guarda, além de vereadores e membros do governo municipal.
Desde o início da reunião, o prefeito adotou um tom de intimidação ao se amparar na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para justificar a impossibilidade de atender às reivindicações. Os sindicatos, no entanto, discordam dessa argumentação, pois os apontamentos feitos se referem à gestão anterior e não devem ser arcados pelos servidores.
Outro ponto polêmico foi a determinação de que as faltas decorrentes da greve serão inegociáveis. Com isso, Murilo Félix torna-se o primeiro prefeito de Limeira a não permitir a reposição dos dias parados, contrariando a Lei de Greve (nº 7.783/1989). Os sindicatos ressaltam que a paralisação foi realizada dentro da legalidade, com respeito ao percentual mínimo de funcionamento exigido por secretaria. Ainda assim, o prefeito manteve uma postura inflexível e ameaçadora, o que foi interpretado como assédio moral contra os servidores.
A contraproposta apresentada pelo governo municipal inclui:
- Reajuste do bônus de assiduidade dos professores efetivos de R$ 150,00 para R$ 200,00;
- Reajuste de 5,06% no vale-alimentação para servidores que recebem até três pisos, passando de R$ 640,00 para R$ 672,00;
- Início do pagamento de R$ 200,00 de vale-alimentação para servidores que ganham acima de três pisos e atualmente não recebem o benefício;
- Reajuste de 5,06% no salário dos servidores;
- Para o quadro do magistério, reajuste de 3,44% retroativo a janeiro e 1,62% a partir de março, totalizando 5,06%.
Os sindicatos enfatizam que bônus não é valorização, pois parte dos servidores não será contemplada. Dessa forma, o movimento avalia que a proposta do governo perpetua a diferenciação entre trabalhadores e mantém uma política de segregação dentro do funcionalismo municipal.
Após a reunião, o presidente da Câmara, Everton Ferreira, contrapôs as falas do prefeito, destacando que, assim como Murilo Félix solicitou que os vereadores respeitassem os limites do orçamento, ele também não deve fazer pedidos além do que está previsto.
Diante desse cenário, as lideranças sindicais recomendaram a suspensão da greve e a reorganização do movimento para continuar as mobilizações contra as medidas do governo municipal. A categoria segue em estado de greve, aguardando os desdobramentos sobre os descontos dos dias parados e preparando novas reivindicações para futuras mesas de negociação.
Negociação entre Câmara e SINDSEL garante reajuste real para servidores do Legislativo
Enquanto os servidores municipais enfrentam dificuldades na negociação com a Prefeitura, os trabalhadores da Câmara Municipal de Limeira conquistaram um reajuste salarial superior à inflação. Durante reunião realizada na tarde desta quinta-feira (3), os representantes sindicais chegaram a um acordo com a Mesa Diretora do Legislativo, garantindo avanços significativos para a categoria.

A proposta aprovada em assembleia contempla:
- Reajuste salarial de 5,06% mais 1% de ganho real, totalizando um aumento acima da inflação;
- Reajuste de 8,06% no vale-refeição, tornando o benefício mais adequado ao custo de vida atual;
- Ampliação da licença-paternidade de 5 para 20 dias, desde que regulamentada pela Prefeitura;
- Criação de uma comissão para revisar o Estatuto dos Servidores, atendendo a uma demanda histórica da categoria.
Para a presidente do SINDSEL, Nicinha Lopes, a concessão de reajuste real deveria ser prática comum em todas as negociações salariais. “Nenhum trabalhador pode ficar apenas com reposição inflacionária. O ganho real significa reconhecimento e valorização dos servidores, que são a base do funcionamento dos serviços públicos. Sem isso, o poder de compra dos trabalhadores segue diminuindo ano após ano, precarizando ainda mais as condições de vida”, afirmou.
Com esse resultado, os servidores do Legislativo garantem avanços em sua remuneração e direitos trabalhistas, em contraste com a postura adotada pelo Executivo na mesa de negociação com os servidores municipais. O desfecho da negociação reforça a importância da mobilização sindical para a conquista de melhores condições de trabalho e valorização profissional.
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