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    Meninos, eu vi! – Opinião – CartaCapital

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    A minha geração, que morou em casa, que brincou na rua, é craque em botânica. A gente sabe distinguir, sem o menor problema, uma pitangueira de uma jabuticabeira, de olhos fechados.

    A gente sabe que a bananeira dá apenas uma vez, um cacho só. Aí é preciso cortar o pé para que nasça outro e venha outro cacho.

    A gente conheceu o bicho de goiaba. Era rara a goiaba vermelha que não tivesse um, dois, três bichinhos dentro. A gente dava um peteleco nele e mandava brasa na goiaba.

    Sabíamos de cor a temporada de jabuticaba, de caqui, de uva, era batata, não falhava nunca. De repente, todas as jabuticabeiras começavam a florir, juntas.

    Comíamos fruta no pé: manga, ameixa, jambo. A manga Ubá, que aqui em São Paulo chamam de Coquinho, a gente fazia um furinho e ia chupando.

    Sabíamos também um pouco da fauna. Da galinha que sempre canta quando acaba de botar o ovo, do pombo macho que choca os dois ovos entre meio-dia e seis da tarde, a porquinha da índia quando estava grávida e o peru, que sempre grugulejava quando assobiávamos.

    Passarinhos, então, nem se fala. Sabíamos direitinho aqueles que gostavam da semente de jiló, da gema do ovo, do osso da baleia.

    A gente não era fazendeiro, mas parecia que era, tamanho o nosso conhecimento.

    Sabíamos também as receitas. Banana amassada com aveia e mel, creme de abacate, maçã do amor, figo em calda, geleia de amora.

    A gente só não sabia nada sobre as frutas que não existiam por aqui: pomelo, lichia, acerola, pitaia, kiwi, a gente nunca via.

    Hoje a coisa mudou. Criança nenhuma sabe como é um pé de abacaxi, que cenoura dá debaixo da terra e que jabuticaba dá no tronco.

    O filho de um amigo meu, um dia viu uma galinha numa fazenda, chamou o pai correndo: vem ver uma Knorr!

    E o aluno de uma amiga minha que, quando ela perguntou de onde vinha o leite, respondeu rapidinho: da caixinha!

    Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.



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