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    Os movimentos de Eduardo Cunha nos bastidores, de olho na eleição de 2026 – Política – CartaCapital

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    Cassado há oito anos, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PRD-SP) voltou a transitar pelos corredores da Câmara e intensificou encontros informais com parlamentares nos últimos dias, em meio à tentativa de se reabilitar politicamente para as eleições de 2026.

    Os políticos que costumam visitar Cunha no escritório montado de improviso em um famoso hotel de Brasília integravam o batalhão de deputados que ele mantinha em seus anos à frente da Casa – na tropa de choque está Arthur Lira (PP-AL), hoje chefe da Câmara.

    Assessores legislativos e parlamentares relataram a CartaCapital que o ex-cacique do Centrão tem ido à Câmara com certa frequência e costuma ‘despachar’ no gabinete da filha, a deputada federal Dani Cunha (União). A interlocutores, o ex-deputado afirma não ter ingerência no mandato e diz agir apenas como “consultor”.

    Nesta semana, Cunha deixou sua influência no Congresso explícita ao articular, pessoalmente, a derrubada da prisão do deputado Chiquinho Brazão, preso sob suspeita de ter mandado matar a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL), em 2018.

    A um grupo de deputados, sustentou que manter o antigo aliado preso seria “ampliar o poder” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Argumentou também, segundo relatos, que a determinação do magistrado iria de encontro às prerrogativas dos congressistas.

    Nas conversas, Cunha fazia questão de reforçar seu vínculo com a família Brazão no Rio de Janeiro, sobretudo com o conselheiro do Tribunal de Contas do estado Domingos Brazão, também acusado de participação no crime. O lobby, contudo, não surtiu efeito: a prisão de Chiquinho Brazão foi mantida por 277 votos favoráveis e 129 contrários.

    Logo após a votação, Cunha desembarcou no convescote promovido pelo vice-presidente da Câmara e bispo licenciado da Igreja Universal Marcos Pereira (Republicanos), em comemoração ao seu aniversário de 52 anos. O evento reuniu centenas de convidados.

    Cunha circulava sorridente entre os convivas e foi cortejado por alguns deputados, que se referiam a ele como “presidente”. De acordo com relatos à reportagem, ele teria reafirmado o que disse a líderes partidários durante o dia em pelo menos três rodas de conversas.

    Ele negou ter articulado contra a prisão de Brazão, mas ponderou que a decisão da Câmara abriu um precendente perigoso, segundo interlocutores.

    Além disso, aproveitou para comentar o cenário pré-eleitoral para a sucessão no comando da Câmara. Na avaliação dele, o baiano Elmar Nascimento (União Brasil) está em melhores condições para a disputa, afinal, teria conquistado a simpatia da bancada bolsonarista na votação de quarta-feira.

    CartaCapital, Cunha negou ter se mobilizado para derrubar a prisão de Brazão e confirmou preparar o terreno para disputar as eleições de 2026 por São Paulo.

    “Com relação à minha filha, trato apenas de ajudá-la na manutenção do mandato com as bases no Rio de Janeiro. Ela não precisa de consultoria minha, pois é bem preparada”, acrescentou o ex-presidente da Câmara.

    O périplo de Eduardo Cunha em Brasília tem como pano de fundo o desejo de retornar à vida pública. Cassado em 2016 após mentir a uma CPI sobre contas secretas que mantinha na Suíça, foi preso na Lava Jato e disputou uma vaga na Câmara em 2022 com ajuda de uma liminar, mas não obteve sucesso.

    O ex-deputado foi condenado em três ações penais que, somadas, atingiam 54 anos de prisão. Desde 2021, contudo, ele coleciona vitórias importantes em tribunais superiores. Na mais recente, em maio de 2023, o STF anulou a última condenação válida, sob o argumento de que a investigação deveria ter tramitado na Justiça Eleitoral.

    No ano passado, suas fichas estavam depositadas em um projeto de lei que, se fosse aprovado até setembro, poderia antecipar seu retorno à política já nas eleições municipais de 2024. Trata-se da minirreforma eleitoral, chancelada pela Câmara e atualmente em tramitação no Senado.

    Na prática, o texto – apresentado pela deputada Dani Cunha e por outros parlamentares – promove alterações na Lei da Ficha Limpa e permite que políticos condenados ou cassados antecipem o fim da punição, uma vez que a redação muda para a data da condenação o início da contagem do prazo de oito anos de inelegibilidade.

    Pelas regras atuais, o período é calculado a partir de quando o mandato se encerra. Ou seja, a partir de 2026, o ex-deputado ficaria livre para disputar um cargo público.



    Informações Carta Capital

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