“Com todas as suas falhas, a democracia brasileira é hoje mais saudável que a dos EUA”. Essa é a conclusão do cientista político Steven Levitsky, autor do livro Como as Democracias Morrem, em um artigo sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicado nesta sexta-feira 12 pelo jornal The New York Times. O texto é assinado em conjunto com o economista brasileiro Filipe Campante, PhD pela universidade de Harvard.
No texto, a dupla classifica o julgamento como “histórico” e afirma que a condenação do ex-presidente brasileiro representa um “forte contraste” com a situação vivida pelos EUA depois que Donald Trump tentou virar a mesa após a derrota para Joe Biden, nas eleições de 2020. Trump, lembram, não foi levado à prisão e acabou retornando, anos depois, à Casa Branca.
“Talvez por perceber o contraste entre as situações, [Trump] chamou o processo contra Bolsonaro de ‘caça às bruxas’ e descreveu a condenação como ‘uma coisa terrível’“, destaca a publicação. No texto, Levitsky e Campante mencionam também o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e as punições contra juízes do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes, relator do processo.
“Isso é inédito. O governo [de Trump] mirou a Suprema Corte de um país democrático com sanções que antes eram restritas a notórios violadores dos direitos humanos, como Abdulaziz al-Hawsawi, envolvido no assassinato em 2018 do colaborador do Washington Post Jamal Khashoggi; e Chen Quanguo, que está por trás da perseguição do governo chinês à minoria uigur”, ressalta o artigo, destacando que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ameaçou o Brasil com mais sanções.
O artigo traz também uma lista das já conhecidas comparações entre os modus operandi de Trump e Bolsonaro, como as recusas a reconhecer as derrotas eleitorais e os ataques ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, e à Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. Para os autores, Bolsonaro pegou muita coisa emprestada da “cartilha” do magnata norte-americano.
“Os cidadãos dos EUA fizeram muito pouco para proteger sua democracia do líder que a atacou”, resume o texto. “O Brasil seguiu um caminho diferente. Depois de terem vivido sob uma ditadura militar, as autoridades públicas brasileiras perceberam uma ameaça à democracia desde o início da presidência de Bolsonaro.”
“Ao contrário dos Estados Unidos, as instituições brasileiras agiram com vigor e, até o momento, com eficácia, para responsabilizar um ex-presidente que tentou anular uma eleição”, concluem.











