O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite, deve deixar o cargo na próxima segunda-feira, 1.º, conforme informação divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada por fontes da alta cúpula das polícias ouvidas pelo Estadão.
Na semana passada, Derrite, que recentemente se licenciou do cargo para voltar à Câmara dos Deputados e relatar o projeto de lei Antifacção no Congresso, já havia sinalizado que ia deixar a pasta no próximo mês, mas sem indicar uma data.
A expectativa, agora, é que a despedida do atual secretário se dê durante cerimônia de aniversário do 1.º Batalhão de Choque – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), que ocorre no centro de São Paulo. Ainda não há uma data, porém, para nomeação do substituto.
A indicação de Nico, segundo fontes ouvidas pela reportagem, é tida como mais conservadora, uma vez que mantém um nome que já integra a alta cúpula da secretaria e, ao mesmo tempo, atende a um pedido de policiais civis após o cargo ser ocupado por um nome ligado à PM.
Com mais de quatro décadas de polícia, Nico ocupou diferentes posições, atuando como chefe da Delegacia Antissequestro e delegado-geral da Polícia Civil na gestão Rodrigo Garcia, em 2022.
À frente da SAP desde 2023, Streifinger, por outro lado, fez carreira na Polícia Militar. O coronel da reserva integrou a corporação entre 1986 e 2020, encerrando sua passagem por lá como chefe do Centro de Operações (Copom).
Na avaliação de interlocutores ouvidos pela reportagem, Streifinger tem um perfil mais próximo ao de Derrite, o que pode agradar mais ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ao mesmo tempo, a indicação do segundo nome ligado à PM em sequência pode desagradar alas da Polícia Civil.
Era Derrite foi marcada por casos de violência policial
Os três anos de Derrite à frente da secretaria foram marcados por alta nos índices de letalidade policial e episódios de truculência de agentes da Polícia Militar. Operações no litoral paulista terminaram com dezenas de civis mortos após mortes de policiais.
Encerrada em abril do ano passado, após quatro meses, a Operação Escudo somou 56 civis mortos, em meio a denúncias de execução pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP).
No ano passado, por conta de uma série de denúncias de violência e abusos da polícia, a permanência do ex-oficial da Rota no cargo de secretário foi questionada, mas ele foi mantido no cargo pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Entre os episódios de repercussão sob sua gestão, estão as mortes de uma criança de 4 anos na Baixada Santista e de um estudante de Medicina baleado em um hotel da capital.
Embora o Estado tenha registrado queda de indicadores como roubos e furtos em 2024, a Polícia Militar paulista matou 496 pessoas entre janeiro e setembro do ano passado — é o maior número desde 2020, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado.
A Secretaria da Segurança Pública tem afirmado que “não compactua com desvios de conduta e pune exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem aos protocolos das polícias paulistas”.
Em notas enviadas à reportagem ao longo do ano, a pasta reforça ainda que “todas as ocorrências de morte decorrente de intervenção policial são rigorosamente investigadas pelas polícias Civil e Militar, com o acompanhamento das respectivas corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário”. /COLABOROU CAIO POSSATI











