Valor foi registrado às 21h20 desta segunda-feira (7); arrecadação inclui tributos federais, estaduais e municipais
Impostômetro registrou o valor na noite desta segunda-feira (7). Especialistas alertam: arrecada-se muito, mas o retorno à população ainda é baixo.
Na noite desta segunda-feira, 7 de julho de 2025, às 21h20, o painel do Impostômetro — ferramenta da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que mostra quanto a população paga em tributos — ultrapassou a marca de R$ 2 trilhões de reais arrecadados no Brasil desde o começo do ano.
Esse número representa todos os impostos, taxas e contribuições que os brasileiros já pagaram para os governos federal, estaduais e municipais desde 1º de janeiro. Em pouco mais de seis meses, a soma impressiona.
E a pergunta que surge é: para onde vai todo esse dinheiro?
O que dá para fazer com esse valor?
Com mais de R$ 2 trilhões arrecadados, seria possível investir em melhorias profundas em saúde, educação, segurança, transporte, infraestrutura, saneamento básico, entre outros setores essenciais. No entanto, o que se vê no dia a dia são hospitais lotados, escolas com estrutura precária, estradas esburacadas e transporte público deficiente.
Ou seja, o brasileiro paga muito imposto, mas vê pouco resultado disso nos serviços públicos.
Brasil está entre os que mais cobram impostos — e entre os que menos devolvem
Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o Brasil tem uma das maiores cargas de impostos do mundo, mas ocupa a última posição no ranking de retorno à população, entre 30 países analisados. Isso quer dizer que, comparado a outros países que também arrecadam muito, o Brasil é o que menos transforma esse dinheiro em benefícios reais para os cidadãos.
Quem mais sofre com os impostos?
Além disso, boa parte dos impostos no Brasil é cobrada sobre o consumo. Isso significa que todo mundo paga o mesmo imposto ao comprar um alimento ou um produto, independentemente da renda. Com isso, as famílias mais pobres acabam pagando proporcionalmente mais do que os mais ricos, o que torna o sistema injusto.
O que dizem os especialistas?
Economistas e entidades como o IBPT e a própria ACSP alertam que o problema não é o valor arrecadado, mas como esse dinheiro é gasto. Faltam planejamento, controle e transparência no uso dos recursos públicos.
Outro ponto importante é a reforma tributária, que começou a avançar no Congresso Nacional. Ela promete simplificar impostos e tornar o sistema mais justo. Mas, até que essas mudanças saiam do papel e cheguem na prática, o cidadão brasileiro continua bancando uma conta alta — e vendo pouco retorno.
A marca de R$ 2 trilhões pagos em impostos em apenas seis meses mostra o quanto o Brasil arrecada. Mas ela também levanta um alerta: é preciso acompanhar de perto como esse dinheiro está sendo usado. A população tem o direito de cobrar serviços de qualidade, afinal, está pagando — e pagando caro — por isso.
Fonte: Gazeta do povo/ poder 360/ICL/Agência Estado









