Declaração de Lula durante a campanha de 2022 volta ao debate e levanta questionamentos sobre promessas eleitorais e poder de compra
Durante a campanha presidencial de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o brasileiro precisava voltar a ter poder de compra para “comer um churrasquinho, comer uma picanha e tomar uma cervejinha”. A declaração ganhou forte repercussão e acabou se transformando em um dos símbolos daquela campanha.
Quatro anos depois, a chamada “promessa da picanha” continua sendo motivo de discussão política. Embora Lula não tenha prometido literalmente que o governo entregaria picanha à população, a carne foi utilizada como exemplo de uma melhora esperada no poder de compra dos brasileiros.
A realidade, porém, é mais complexa. Os preços da carne bovina oscilaram nos últimos anos e chegaram a apresentar quedas em alguns períodos. Dados divulgados pela Associação Paulista de Supermercados apontaram, por exemplo, redução de 3,6% no preço da picanha em 2025, enquanto outros cortes também tiveram queda.
Isso não significa, entretanto, que a picanha tenha se tornado acessível para todos. O preço encontrado pelo consumidor varia conforme região, estabelecimento, qualidade e período. Em 2025, inclusive, uma oferta de picanha a R$ 39,90 por quilo que circulou nas redes sociais foi checada pelo UOL e estava relacionada a produtos próximos do vencimento, não representando o preço médio do mercado.
O debate, portanto, vai além de um corte de carne.
A questão é saber se o brasileiro percebeu, no próprio bolso, a melhora no poder de compra que foi associada àquela promessa de campanha.
Promessas eleitorais fazem parte da política, mas a cobrança precisa acontecer depois da eleição. O eleitor não deveria avaliar um governo apenas pelo discurso utilizado durante a campanha, mas também pelos resultados concretos na economia, nos preços, nos salários e na qualidade de vida.
A chamada “picanha” acabou se transformando em uma metáfora maior: até quando o eleitor estará disposto a acreditar em promessas políticas sem cobrar, depois, se elas realmente chegaram à mesa?
Em ano eleitoral, a reflexão é inevitável: promessas convencem durante a campanha. Mas é a realidade que deveria decidir o voto.








