Os participantes que tomaram doses maiores da medicação (12 mg) perderam em média 22,5 kg, o equivalente a 20,8% do peso. Já entre as pessoas com obesidade mais grave, que apresentavam índice de massa corporal (IMC) a partir de 35 — considerado obesidade grau 2 —, a perda de peso com a dose máxima chegou a 27,5 kg, cerca de 23,4% do volume corporal.
O estudo foi realizado ao longo de 80 semanas. Ao final do período analisado, os indivíduos que utilizaram a maior dose do medicamento deixaram de apresentar o diagnóstico de obesidade e atingiram a marca do IMC abaixo de 30.
Desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, o medicamento atua em três receptores hormonais ao mesmo tempo: GIP, GLP-1 e glucagon, tratando a obesidade e a diabetes tipo 2 juntos. A retratutida ainda está em testes e não foi aprovada para venda em nenhum lugar do mundo.
Eficácia no controle da diabetes
No tratamento para a diabetes, a retatrutida desencadeou redução da hemoglobina glicada (A1C) — exame que mede o açúcar no sangue. Os participantes que receberam as doses mais altas tiveram uma diminuição média na taxa que variou entre 1,5% e 1,6%, sendo que até 40% deles conseguiu atingir níveis considerados normais de açúcar no sangue (menores que 5,7%).
Medicamento se mostrou promissor para a saúde cardiovascular
A pesquisa mostrou também que a retatrutida apresentou benefícios para a saúde cardiovascular, com redução de 39,5% nos triglicerídeos, 19,6% no colesterol não-HDL, 16,9 cm na circunferência da cintura e 58,3% na proteína C-reativa — um marcador de inflamação.
Em relação aos efeitos adversos, os participantes apresentaram sintomas leves a moderados, e a maioria desapareceu ao longo do tratamento. Os mais frequentes em relação ao placebo foram diarreia, náusea, prisão de ventre, diminuição do apetite, vômito, alterações na sensibilidade da pele e infecção urinária.
A empresa vai buscar a aprovação da medicação junto à agência reguladora dos EUA, a Food and Drug Administration (FDA), no primeiro trimestre de 2027.










