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Documentário lança luz sobre a repressão ao movimento punk rock nos anos 1980 – Augusto Diniz

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Um movimento contra o sistema fez surgir o punk rock nos anos 1970, notadamente nos Estados Unidos e na Inglaterra. No Brasil, ganhou corpo no fim daquela década e no início dos anos 1980, representado por bandas como Ulster, Cólera, Ratos de Porão, Inocentes, Garotos Podres e Olho Seco.

Integrantes desses grupos dão depoimentos sobre o período da ditadura no documentário Não É Permitido: um Recorte da Censura ao Punk Rock no Brasil, de Fernando Calderan Pinto da Fonseca, Fernando Luiz Bovo, Matheus de Moraes e Renan Costa de Negri.

O curta de 34 minutos está disponível no YouTube gratuitamente e conta com bons testemunhos da última década de censura prévia no País, extinta pela Constituição de 1988. O filme também apresenta documentos do governo proibindo a execução de dezenas de músicas.

Na abertura, Ariel Uliana Junior e Clemente Tadeu Nascimento, do Inocentes, lembram que para prensar os discos era necessário antes enviar as músicas ao departamento de censura.

João Carlos Molina Esteves, o Jão, do Ratos de Porão, e Valdemir Pinheiro, o Val, de Cólera e Olho Seco, acreditam que o fato de serem censurados era indicativo de que as músicas antissistema e de críticas ao governo incomodavam.

Os músicos contam que eram perseguidos e foram presos algumas vezes por causa da cultura punk, considerada rebelde e subversiva. Eles explicam como faziam para fugir da censura, adaptando as músicas. Vladimir de Oliveira, o Vlad, da banda Ulster, afirma que muitas vezes a mudança descaracteriza a canção.

“A censura sempre teve duas facetas: uma mais politicamente explícita e uma moral”, avalia José Rodrigues Júnior, o Mao, do Garotos Podres. Segundo ele, a censura moral respondia aos setores mais conservadores da sociedade.

Carlos Mariano Lopes Pozzi, o Pierre, do Cólera, afirma que apesar da repressão específica ao movimento punk, eles sabiam o que acontecia de forma mais ampla nos estertores do governo militar.

A tentativa de silenciamento de um movimento como o punk rock não era uma novidade no Brasil, mas há de se reconhecer que isso prejudicou o entendimento mais claro dessa expressão musical.

A black music tipicamente brasileira também sofreu um apagamento pelo regime e, de alguns anos para cá, o movimento tem sido explicado por meio de documentários e livros.

O filme Não É Permitido: um Recorte da Censura ao Punk Rock no Brasil abre, portanto, uma brecha para discutir outro movimento musical no País violentamente apagado da história.

Informações são do site Carta Capital, Clique aqui

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