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Huawei, a gigante invisível para a Faria Lima – CartaCapital

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Quando se fala em Huawei no Brasil, a associação imediata costuma ser com celulares ou relógios inteligentes (e caros!). Fora do mercado brasileiro de smartphones há seis anos, a empresa anunciou, em 2025, dois modelos premium, com preços que ultrapassam os 30 mil reais. Mas se você conhece apenas os celulares da marca, não está ligado.

A companhia é, na verdade, um dos maiores conglomerados de tecnologia de ponta do mundo, com presença decisiva em setores de infraestrutura, computação, telecomunicações, energia e nuvem. Globalmente, são mais de 207 mil funcionários, faturamento anual acima de 118 bilhões de dólares (cerca de 630 bilhões de reais) e um investimento em pesquisa e desenvolvimento que consome mais de 20% da receita, proporção que coloca a empresa no topo do ranking mundial de inovação.

Um dos debates mais frequentes sobre a Huawei é a sua natureza societária. Oficialmente, a empresa afirma ser uma companhia privada, “propriedade dos funcionários”. Dos 200 mil trabalhadores, cerca de 150 mil são proprietários de ações da companhia. Na prática, isso significa que a chamada participação dos funcionários funciona como um plano de lucros, e não como ações negociáveis em mercado.

Mesmo privada, é inegável, no entanto, que a empresa recebeu apoio do governo chinês ao longo de sua ascensão, seja em subsídios, empréstimos de bancos públicos ou políticas industriais.

Enquanto o noticiário se concentra em relógios e smartphones, o coração da Huawei está em outro lugar. No Brasil, a empresa é fornecedora das principais operadoras de telecomunicações há quase três décadas. Sua tecnologia ajudou a implantar desde o 2G até o 5G, conectando mais de 95% da população brasileira. Além disso, mantém fábricas em Manaus e Jundiaí, um centro de distribuição em Sorocaba e parcerias de P&D com instituições como o CPQD e o Inatel.

A Huawei também é protagonista em nuvem e energia digital. A divisão Huawei Cloud disputa espaço com gigantes como Amazon e Microsoft, oferecendo serviços de infraestrutura e cibersegurança. Já a unidade Digital Power atua em energia solar, mobilidade elétrica e gestão de data centers, áreas estratégicas para a transição energética. Só em 2024, a empresa investiu mais de US$ 24 bilhões em P&D, cifra equivalente ao orçamento de pesquisa de grandes potências industriais.

Invisibilidade na Faria Lima

Apesar de todo esse peso, a Huawei raramente aparece no radar do mercado financeiro brasileiro. Como não tem ações listadas em bolsa e não capta recursos diretamente por aqui, não se insere no noticiário tradicional da Faria Lima. Isso cria uma percepção distorcida: olhamos para Apple, Samsung ou NVidia como protagonistas globais de tecnologia, mas deixamos de lado uma companhia que, em muitas métricas, é tão grande ou maior do que elas.

Esse “fora do foco” é exatamente o que interessa. A Huawei molda custos e produtividade em setores inteiros, mesmo sem figurar em carteiras de investimento locais. Para o agronegócio, suas soluções digitais ajudam no monitoramento de plantações. Para o setor público, a empresa oferece sistemas de cidades inteligentes. Para a mineração, leva conectividade a áreas remotas. E, ao mesmo tempo, tenta construir uma marca premium junto ao consumidor brasileiro.

Mesmo fora do radar e muitas vezes discreta, o faturamento da gigante chinesa seria compatível para figurar no grupo das ‘7 magníficas’ – as 7 big techs queridinhas de Wall Street. Para fins de comparação, em 2024, elas faturaram: Apple (391 bilhões de dólares); Amazon (638 bilhões de dólares); Microsoft (281 bilhões de dólares); Alphabet, dona do Google (350 bilhões de dólares); Meta, dona do Facebook (164,5 bilhões de dólares); Nvidia (130.5 bilhões de dólares) e Tesla (97,7 bilhões de dólares).

Com a expansão do 5G, a digitalização de cadeias produtivas e a transição energética, a Huawei opera em pontos nevrálgicos da economia global. Tudo isso sem a companhia estar sob o escrutínio do mercado financeiro local.

A Huawei é um caso emblemático de como a economia real vai muito além do que aparece no noticiário econômico. É uma gigante que desempenha um papel invisível mas fundamental no desenvolvimento da infraestrutura do país e na transformação digital em andamento.

No fim das contas, a Huawei é um lembrete de que parte significativa da infraestrutura digital brasileira — e de muitos outros países — depende de empresas que não estão listadas na B3, nem sob o escrutínio de relatórios trimestrais em Nova York. É o tipo de companhia que molda a economia real sem aparecer no noticiário financeiro cotidiano.

Informações são do site Carta Capital, Clique aqui

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