A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a quarta fase da Operação Coffee Break e colocou uma tornozeleira eletrônica na secretária de finanças de Itu, Monis Marcia Soares. Ela foi encontrada em casa, em Jundiaí, e é alvo de medidas judiciais que incluem monitoramento eletrônico, afastamento de função e bloqueio de bens.
A ação desta quinta-feira cumpriu dez mandados de busca e apreensão em Campinas, Jundiaí, Americana, Itu e Sumaré. O objetivo é investigar fraudes em licitações da secretaria de educação de Sumaré entre 2021 e 2025. A PF também apura suspeitas de lavagem de dinheiro para esconder a origem de valores desviados do orçamento público.
A Operação Coffee Break investiga o superfaturamento de contratos ligados à empresa Life Tecnologia Educacional. Segundo as apurações, o esquema movimentou cerca de 128 milhões de reais entre 2021 e 2024, com kits de robótica e softwares vendidos com forte sobrepreço. Em alguns casos, produtos de 1 real foram repassados ao poder público por 80 reais.
A primeira fase, em novembro de 2025, prendeu integrantes do alto escalão da prefeitura de Hortolândia e mirou contratos de quase 18 milhões de reais. Em Sumaré, Marin foi alvo de mandado de prisão e depois conseguiu habeas corpus. Em janeiro deste ano, a PF apreendeu armas e munições em uma chácara ligada ao ex-secretário, na terceira etapa da operação.
As investigações também motivaram a abertura de comissões de investigação nas câmaras de Hortolândia e Limeira, onde contratos de quase R$ 12 milhões são analisados.
Os investigados podem responder por corrupção, peculato, fraude em licitação, contratação direta irregular, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que podem chegar a 60 anos.
A Prefeitura de Itu afirma que a operação não tem nenhuma relação com os atos administrativos da atual gestão e que nunca teve qualquer contrato com a Life Tecnologia Educacional. A secretária será exonerada ainda nesta quinta-feira, conforme nota oficial.
A CBN Campinas apurou que Monis foi secretária de ao menos três pastas de Sumaré desde 2017: Finanças, Administração e Governo. A Prefeitura de Sumaré disse que tomou conhecimento da operação realizada nesta quinta, mas que não foi cumprido nenhum mandado em prédios públicos. A administração afirma que os fatos investigados aconteceram em gestões anteriores, e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Nota atualizada – Marin
Após análise da representação da Polícia Federal que culminou na 4ª fase da Operação Coffee Break, realizada na data de hoje, os advogados Danilo Campagnollo Bueno e José Sérgio do Nascimento Júnior, do escritório Campagnollo Bueno & Nascimento Advogados, defensores de José Aparecido Ribeiro Marin, esclarecem que não há indicação, até o momento, de fatos novos capazes de justificar a imposição de uma nova prisão preventiva.
Houve apenas avanço na mesma investigação, que trouxe fatos novos que precisam ser melhor apurados, eventualmente em futura ação penal. Importante destacar que a prisão preventiva anteriormente decretada (1ª fase da Operação) já havia sido revogada, ocasião em que foram impostas medidas cautelares alternativas, inclusive monitoramento por tornozeleira eletrônica, todas rigorosamente cumpridas por Marin, sem qualquer registro de descumprimento.
Além disso, Marin sempre manteve postura colaborativa com a investigação, tendo inclusive entregado espontaneamente veículos que, segundo a apuração policial, teriam sido adquiridos com recursos supostamente relacionados às fraudes investigadas, inclusive automóveis já identificados pelas autoridades.
Destacamos que grande parte dos fundamentos utilizados para justificar a nova prisão refere-se a circunstâncias que já eram de conhecimento das autoridades quando da revogação da prisão anterior, o que reforça a necessidade de análise cuidadosa da medida decretada. Possíveis novos elementos mencionados na investigação ainda precisam ser devidamente analisados e submetidos ao contraditório e à ampla defesa, no momento
processual adequado. Por essa razão, a defesa entende que a decretação de nova prisão preventiva, neste
momento, mostra-se juridicamente questionável e desproporcional, sobretudo diante do cumprimento integral das medidas cautelares e da postura colaborativa do investigado.














