Um homem, de 41 anos, foi preso em flagrante após proferir ofensas racistas durante partida entre Comercial e Associação Esportiva Araçatuba (AEA), no sábado (14/3), em jogo válido pela Série A-4 do Campeonato Paulista, disputado no Estádio Adhemar de Barros, em Araçatuba, interior de São Paulo.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que as ofensas racistas foram ouvidas pelos atletas, pelo delegado da partida e por outros presentes, que imediatamente acionaram a Polícia Militar (PM). O autor foi identificado e detido ainda no estádio. O caso foi registrado como injúria racial na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Araçatuba.
Clubes repudiam racismo
Nas redes sociais, o Comercial, clube de Ribeirão Preto, publicou o relato do goleiro Wendel, uma das vítimas, em frente à delegacia. “Foi uma total falta de respeito com a nossa delegação. Isso no futebol já está saturado, tem que acabar”, afirmou o atleta.
O clube ainda lamentou que “racistas sintam-se à vontade para cometer crimes aos olhos da sociedade”. “O Leão do Norte [apelido do time ribeirão pretano] reitera que, enquanto fatos dessa natureza continuarem ocorrendo, o clube lutará constantemente no combate aos preconceituosos e covardes espalhados pelos estádios do Brasil. Novamente, o Comercial preza pela pluralidade no esporte e na sociedade e repudia com veemência qualquer tentativa de amenizar fatos como o de hoje.”
O Araçatuba também repudiou atos de racismo, discriminação ou preconceito dentro ou fora dos estádios. “A Associação Esportiva Araçatuba reforça que não compactua com qualquer forma de racismo ou discriminação e seguirá firme no compromisso de promover um ambiente de respeito, inclusão e igualdade no esporte. Racismo é crime e não será tolerado.”
Assédio à médica
- Na início de março, a partida entre Comercial de Ribeirão Preto e Nacional, tradicional equipe da Barra Funda, foi interrompida após torcedores do time do interior de São Paulo assediarem sexualmente a médica da equipe visitante.
- O jogo, válido pela Série A4 do Campeonato Paulista, foi paralisado após um torcedor gritar palavras de cunho sexual e fazer gestos obscenos para a profissional.
- “Ele fazia comentários do tipo: ‘Doutora gostosa, doutora linda, vem aqui me examinar’, ‘Trabalha para mim no particular, eu vou pagar seu salário’, e apontava para as partes íntimas”, relatou a médica Bianca Francelino, ao Metrópoles.
- Era a primeira vez que ela trabalhava no futebol.
- Segundo a médica, a denúncia para a arbitragem foi feita pelos jogadores e demais integrantes do Nacional, que se incomodaram e foram pedir respeito ao torcedor.
- “Eu estava tentando evitar ao máximo essa situação, por mais constrangedora que estivesse. Avistaram que ele realmente estava ameaçando chegar no ponto de tirar para fora o membro mesmo”.
- Nesse momento, começou um bate-boca próximo ao alambrado do Estádio Francisco de Palma Travassos, casa do Comercial.
- O namorado da médica estava na arquibancada e tentou intervir, mas o torcedor reagiu de forma hostil, segundo o relato.
- Policiais militares foram acionados para controlar a briga.
- O Comercial lamentou o ocorrido e informou que o torcedor foi identificado para as medidas judiciais cabíveis.














