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Com 102 registros em 2025, casamentos entre mulheres batem recorde em Campinas

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Campinas registra maior número da história de casamentos entre mulheres

Campinas (SP) registrou 102 casamentos oficiais entre mulheres em 2025, o maior número já registrado em um único ano no município desde 2016. Os dados são da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP).

Segundo o levantamento, as uniões entre mulheres representam 57,3% de todos os casamentos entre pessoas do mesmo sexo realizados na cidade. Nos últimos dez anos, Campinas contabilizou 1.356 casamentos homoafetivos, sendo 777 entre mulheres.

O crescimento acompanha a tendência observada em todo o estado de São Paulo. Em 2025, foram registrados cerca de cinco mil casamentos homoafetivos em cidades paulistas, o maior número da história. Em 2026, até o momento, quase duas mil uniões já foram oficializadas.

Para a oficiala de registro civil Júlia Mota, esse aumento está relacionado à redução das barreiras impostas pelo preconceito e aos avanços na legislação e na medicina reprodutiva.

Segundo ela, atualmente casais formados por duas mulheres contam com respaldo legal para o casamento, acesso à reprodução assistida e reconhecimento da dupla maternidade.

“Antes, as mulheres casavam com homens para poder ter filhos. Hoje é possível realizar a reprodução assistida e ambas são reconhecidas legalmente como mães. Tanto a lei quanto a ciência já garantem esse direito”, afirmou.

Ela também destacou que os direitos sucessórios são os mesmos assegurados aos casais heterossexuais.

“O mesmo procedimento realizado para um casamento heterossexual é aplicado ao casamento homoafetivo, com os mesmos direitos e as mesmas obrigações”, explicou.

Avanços legais

Em maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, a união estável entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, garantindo os mesmos direitos e deveres dos casais heterossexuais.

Em 2013, uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) proibiu que cartórios se recusassem a celebrar casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo em todo o país.

O sonho diante das portas fechadas

Um dos casamentos registrados em Campinas foi o de Letícia Morato e Ana Cláudia Carvalho. As duas se conheceram por meio de amigos em comum e atualmente trabalham juntas em um consultório odontológico.

“A gente começou a conversar e percebeu que tinha muita coisa em comum, além dos amigos. Uma delas era a data de aniversário e, desde então, nunca mais nos separamos”, contou Ana.

Embora o casamento civil tenha ocorrido sem dificuldades, o casal enfrentou preconceito para encontrar um espaço que aceitasse realizar a festa.

“Depois de muitas portas fechadas, encontramos um lugar que nos acolheu muito bem. O casamento no cartório foi tranquilo”, relembrou Letícia.

Luta por pertencimento e respeito

Moradoras de Campinas, Luma e Stefany Bueno estão casadas há cinco anos. A decisão de oficializar a união surgiu quando começaram a planejar a chegada de um filho.

“Ter um filho significava enfrentar muitas questões burocráticas. Então percebemos que seria importante realizar o casamento civil”, explicou Luma.

Dois anos após o casamento nasceu Joaquim. Para Stefany, a família representa uma luta diária por respeito e pertencimento.

“A gente luta todos os dias para conquistar esse pertencimento na sociedade e é isso que queremos para o nosso filho: que ele possa amar quem quiser, sem julgamentos.”

Quando perguntado quantas mães tem, Joaquim responde sem hesitar: “Duas”.

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