O trabalhador brasileiro que recebe um salário mínimo teria que trabalhar mais de três anos para comprar um ingresso premium para a final da Copa do Mundo 2026 – isso considerando o acúmulo integral da renda, sem nenhum outro gasto. Em contrapartida, um trabalhador alemão precisaria trabalhar apenas quatro meses.
O levantamento é do Instituto Millenium, que considerou o valor do ingresso premium para a partida decisiva da Copa do Mundo, estimado em cerca de US$ 10 mil. Para comprar o bilhete, o trabalhador que recebe um salário mínimo no Brasil, de US$ 270, teria que acumular o equivalente a 37 salários.
A realidade para trabalhadores de países desenvolvidos é bastante distinta. No levantamento do Millenium, franceses e alemães são os que poderiam adquirir a entrada para a partida com mais facilidade, após trabalhar cinco e quatro meses, respectivamente. Na França, o salário mínimo equivale a US$ 1.950, enquanto, na Alemanha, chega a US$ 2.350.
Ricardo Gomes, CEO do instituto, explica que a diferença no poder de compra entre os países aponta para um dos principais desafios econômicos brasileiros: elevar a produtividade. Os salários, explica ele, refletem o valor que cada trabalhador consegue gerar.
“Ninguém vai contratar por R$ 10 mil um funcionário que produz R$ 2 mil. Países como a Alemanha conseguem pagar salários mais altos porque produzem mais por hora trabalhada, utilizam mais capital, tecnologia e conhecimento, e operam em um ambiente regulatório e econômico mais eficiente”, explica.
Em publicação nas redes sociais sobre o poder de compra em relação aos ingressos, o Millenium refuta o argumento de que para reduzir essa diferença bastaria aumentar o salário mínimo. Na postagem, o instituto afirma que as discrepâncias não se tratam de “mesquinharia” dos empresários brasileiros – salários mais altos, aponta a publicação, refletem economias mais produtivas e inovadoras.
“Aumentar o salário mínimo por decreto é simples”, afirma o Millenium. “O desafio está em criar as condições para que os salários cresçam de forma sustentável e o poder de compra aumente de verdade”, conclui.
Poder de compra de ingressos varia de meses a anos entre países
Segundo o levantamento, o trabalhador mexicano é o que mais se aproxima do brasileiro no tempo necessário para adquirir o ingresso da final da Copa do Mundo de 2026. Com um salário mínimo de US$ 420, ele teria que trabalhar dois anos e acumular o equivalente a 24 salários integrais para assistir à decisão.
Os trabalhadores americanos, por sua vez, estão mais próximos dos europeus. Eles precisariam de oito meses de trabalho, considerando o salário mínimo mensal de US$ 1.257, para adquirir o ingresso da partida decisiva do Mundial da FIFA.








