Depois de perder a presidência e a relatoria da CPMI do INSS para a oposição, o bloco governista promoveu sete mudanças em sua composição. As alterações visam substituir congressistas que não compareceram ou não se engajaram nos primeiros momentos decisivos, além de reorganizar a representação de aliados menos confiáveis.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) coordenou a reconfiguração, que amplia a presença do PT de cinco para sete integrantes, consolidando o partido como linha de frente na defesa do governo – como já era esperado. A mudança também ocorre em um contexto em que senadores experientes da base, como Renan Calheiros (MDB-AL) e Omar Aziz (PSD-AM), articulam deixar a CPMI, evitando desgaste e delegando ao PT a responsabilidade de enfrentar a oposição.
Segundo um senador da base, ocorreram “omissões e traições” por parte de alguns membros durante as duas primeiras reuniões, o que resultou na derrota na disputa pelo comando da CPMI. Segundo a avaliação, os “omissos” (quem faltou ou se esquivou) minaram a estratégia da base, abrindo espaço para a vitória da oposição na eleição interna. Já os “traidores” (quem jogou contra ou deixou fluir as candidaturas adversárias) mostraram que, em CPIs, o governo não pode contar apenas com a formalidade de blocos partidários: é preciso lealdade ativa.
O governo respondeu trocando peças e reforçando o núcleo petista dentro da CPMI, assumindo que só terá segurança plena em quem está organicamente ligado ao Planalto. “O Partido dos Trabalhadores vai ter que trabalhar”, afirmou um senador da base de Lula.
Quem saiu e quem entrou
Saiu → Entrou.
- Rafael Brito (MDB-AL) → Ricardo Maia (MDB-BA);
- Eliziane Gama (PSD-MA) → Jussara Lima (PSD-PI);
- Cid Gomes (PDT-CE) → Teresa Leitão (PT-PE);
- Otto Alencar (PSD-BA) → Paulo Paim (PT-RS);
- Augusta Brito (PT-CE) → Humberto Costa (PT-PE);
- Eduardo Braga (MDB-AM) → Soraya Thronicke (Podemos-MS);
- Alessandro Vieira (MDB-SE) → Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
Oposição também se mexe
A oposição também optou por reforçar “a tropa de choque” e promoveu quatro alterações, incluindo a entrada de Silas Câmara (Republicanos-AM) e Paulinho da Força (Solidariedade-SP).
Plínio Valério (PSDB-AM) saiu para a entrada de Styvenson Valentim (PSDB-RN) e Julio Arcoverde (PP-PI) trocou de lugar com o delegado Fábio Costa (PP-AL).
A CPMI
A CPMI investiga desvios estimados em 6,3 bilhões de reais em benefícios previdenciários. Já foram aprovados, nas primeiras reuniões, convocações de dez presidentes do INSS e convites a ex-ministros da Previdência dos governos de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB), Jair Bolsonaro (PL) e do atual governo Lula (PT). O atual ministro Wolney Queiroz também foi convidado.











