Luis Fernando Verissimo era um adorador de jazz desde a adolescência. Na segunda vez que o pai, o também escrito Erico Verissimo, junto com a família, mudou-se para os Estados Unidos para assumir cargo de diretor do departamento de assuntos culturais da OEA, na capital Washington, ele, com 16 anos, decidiu estudar música.
Seu sonho era aprender o trompete, instrumento do ídolo e lenda do jazz americano, Louis Armstrong. Mas por falta de curso dedicado ao trompete, acabou aprendendo saxofone, instrumento que marcaria sua vida com exibições e gravações.
Quando retornou dos EUA ao Brasil, já com 20 anos, se integrou a uma banda de estudantes. Mais tarde faria parte da Jazz 6. A banda gravaria cinco álbuns com Veríssimo ao saxofone (e já famoso como grande escritor brasileiro), intitulados Agora é Hora (1998), Speak Low (2001), A Bossa do Jazz (2003), Four (2007) e Nas Nuvens (2011).
Basicamente, o repertório do grupo era composto de regravações de standards nacionais e internacionais do jazz. O grupo chegou a fazer shows no Rio Grande do Sul e São Paulo.
Com os irmãos chargistas Paulo (falecido) e Chico Caruso, também participaria do grupo Conjunto Nacional, que contava ainda com o cartunista Aroeira como músico. Com eles, gravou no sax dois álbuns com composições cheias de humor político: Pra seu Governo (1998) e E la Nave Va (2001).
Luis Fernando Verissimo teria também poemas musicados, como pelo pianista gaúcho Arthur de Faria. A dupla Kleiton e Kledir lançaria uma música composta com Veríssimo, a Olho Mágico, gravada no álbum Com Todas as Letras (2015).
Magro Waghabi (falecido) também fez a música Parceria em Marcha Lenta com Veríssimo, gravada no álbum MPB4 ao vivo (1989).
O escritor não chegou a se aprofundar nos estudos no saxofone e sempre tratou esse trabalho como um hobby, mas não escondia a paixão pela música. Ao longo da vida, escreveu várias crônicas tendo o jazz como tema.
Verissimo morreu neste sábado 30, aos 88 anos, ele lidava com as consequências de um acidente vascular cerebral (AVC) que aconteceu em 2021, e foi acometido, nas últimas três semanas, por uma pneumonia.











