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Psicólogas alertam sobre jogos de apostas; ex-BBB perdeu tudo por vício · Notícias da TV

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Nesta semana, o ex-BBB Diego Grossi revelou ter perdido a casa e a família por conta do vício em jogos de azar. Ele teve contato com a atividade após ser convidado para divulgar a plataforma de apostas em suas redes sociais, em uma prática muito comum entre as celebridades nos últimos meses. 

O Notícias da TV conversou com duas psicólogas para entender quando o hábito se torna sinal de alerta entre os apostadores. A especialista Carolina Medeiros, do Instituto Macabi, explica que algumas atitudes podem servir como rota de discernimento. 

“O vício em jogos se torna perigoso a partir do momento em que a pessoa começa a abrir mão de suas prioridades. Isso tanto na perspectiva social, quando perde momentos em família e amigos; quanto no trabalho, para ficar jogando em momentos inapropriados; e também na perspectiva financeira, quando deixa de arcar com responsabilidades e assume dívidas na tentativa de ganhar mais ou recuperar valores perdidos”, exemplifica. 

Quem está perto deve desconfiar quando a pessoa começa a ficar mais tensa do que o habitual no momento em que são abordados assuntos financeiros. Movimentos como pedir empréstimos ou vender bens sem nenhuma explicação também são sinais.

A psicóloga Valeska Bassan afirma que famosos que divulgam casas de apostas têm papel crucial no que diz respeito ao crescimento da procura por essas plataformas. 

“O impacto das celebridades na promoção de empresas de apostas é significativo. Quando figuras públicas divulgam essas práticas, elas tornam o hábito mais atraente e socialmente aceitável, especialmente para jovens e pessoas vulneráveis. Isso normaliza o comportamento e o associa a uma imagem de glamour e sucesso, ignorando os riscos do vício”, aponta.

“O fenômeno é semelhante ao que ocorre com a promoção de dietas extremas por influenciadores, criando uma banalização de comportamentos que podem trazer graves consequências. A febre das apostas pode ser explicada também pela facilidade de acesso, com aplicativos e sites que permitem jogar a qualquer momento, e o reforço intermitente, em que ganhar ocasionalmente ativa o sistema de recompensa no cérebro, estimulando a repetição do comportamento”, continua a especialista.

Tratamento

De acordo com Carolina Medeiros, é importante que, diante da suspeita de que o vício em jogos esteja acontecendo com algum amigo ou familiar, a pessoa que queira ajudar se preocupe em acolher sem julgamentos. 

“É necessário, porém, impor limites: não emprestar dinheiro e não incentivar a busca por tentar reverter a situação dentro do jogo. Existe uma dívida? Vamos traçar um plano para que seja paga e buscar tratamento especializado para não ter recaídas. É preciso encarar o problema com pés no chão e acolhimento”, ensina a psicóloga.

Valeska Bassan também destaca a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). “É uma das mais indicadas, pois ajuda a identificar pensamentos automáticos que levam ao comportamento compulsivo e a desenvolver estratégias mais saudáveis. Grupos de apoio, como Jogadores Anônimos, oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências e receber suporte emocional.”

“A psicoterapia individual trabalha questões emocionais profundas, como baixa autoestima ou dificuldade em lidar com o estresse, enquanto o apoio psiquiátrico pode ser necessário para tratar sintomas de ansiedade ou depressão associados ao vício”, continua a especialista. 

A psicóloga também reforça que, além do tratamento profissional, algumas atitudes podem ser incorporadas à rotina para ajudar no controle do vício. É importante, por exemplo, estabelecer limites claros para horários e valores das apostas, assim como evitar gatilhos que possam estimular o comportamento.

“A pessoa pode buscar adotar hábitos saudáveis, praticar exercícios físicos, meditação e hobbies. Isso ajuda a substituir o comportamento compulsivo por práticas mais positivas. Também é de grande importância desenvolver a educação emocional e financeira para lidar melhor com o estresse e entender as consequências das apostas”, completa Valeska. 

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