Ele é realmente um personagem cuja história merece ser contada. E é o que faz muito bem o longa-metragem Antes que me Esqueçam, Meu Nome é Edy Star, de Fernando Moraes. O filme estreia no circuito de cinemas em 28 de novembro.
Antes, será exibido na quarta-feira 20, às 19h, durante a premiação do Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, no Museu da Imagem e do Som, na capital paulista. Na ocasião, Edy Star, 86 anos, fará um show com a participação de Maria Alcina.
Edy Star é um artista da contracultura por quebrar tabus e contrariar o padrão da indústria cultural. Aliás, lançou poucos discos. O primeiro foi em conjunto com Raul Seixas, então produtor, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada. O nome do trabalho: Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (1971).
Disco fora do convencional, teve repercussão limitada e entre os adeptos da contracultura. Hoje, é obra cult. Depois, lançou Sweet Edy (1974). Outro álbum só veio em 2017: Cabaré Star. O projeto foi conduzido pela Saravá, de Zeca Baleiro, admirador do trabalho de Edy Star.
O filme mostra os bastidores da produção do disco por Baleiro, também responsável pela direção musical do documentário. A obra, que poderá ser vista pelo grande público depois de passar por vários festivais, retrata esse personagem assumidamente gay e incorporador do estilo glam, estabelecido inicialmente no meio musical da Inglaterra, de roupas e acessórios um tanto extravagantes.
O cantor e compositor Edy Star incorporou bem seu personagem ao longo da história, embora no filme se note que ele fazia isso com naturalidade, sem contrariar sua personalidade forte. No longa, conclui-se que sua carreira foi construída na noite, entre palcos de boates, cabarés e alguns teatros.
O longa mostra um artista livre, pouco preocupado em dar satisfação e disposto a ser ele mesmo na arte. Ganhou relativo reconhecimento nos anos 1970, mas teve de se virar indo parar na noite da Europa. Depoimentos do próprio Edy Star no filme dão a entender que ele sabia que contrariava padrões do mercado, mas preferiu se manter autêntico.
Chama a atenção a sinceridade com que trata diferentes assuntos. Seus caminhos na cena underground revelam, no fundo, um típico artista brasileiro, que saiu da Bahia, foi para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo em busca de oportunidade, metendo-se muitas vezes no segmento da cultura marginal.
O filme, que caracteriza bem os passos de Edy Star, tem depoimentos verdadeiros, inclusive de Caetano Veloso, que o reencontra. Antes que Me Esqueçam, Meu Nome é Edy Star é uma oportunidade de conhecer um personagem eclético e divertido.










