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Hamas diz estar pronto para negociar trégua com Israel em Gaza – CartaCapital

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O movimento islamista palestino Hamas anunciou, na noite desta sexta-feira (4), que está pronto para “começar imediatamente” as negociações sobre a aplicação da proposta de trégua em Gaza, onde foram registradas pelo menos 52 mortes em 24 horas.

O grupo no poder neste território palestino afirmou em comunicado que havia entregue “sua resposta aos mediadores, e ela é positiva”.

“O movimento está pronto para começar imediatamente e seriamente um ciclo de negociações sobre o mecanismo de aplicação desse quadro”, acrescentou.

O anúncio do Hamas ocorre antes de uma visita marcada para esta segunda em Washington do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo uma fonte palestina próxima das discussões, a proposta “compreende uma trégua de 60 dias” durante a qual o Hamas libertaria metade dos reféns israelenses ainda vivos em troca da libertação de presos palestinos detidos por Israel.

A Jihad Islâmica, o principal movimento palestino aliado do Hamas contra Israel na guerra em Gaza, disse que apoia as negociações, e pede “garantias”.

Em comunicado, este movimento disse que havia apresentado ao Hamas algumas questões sobre o mecanismo de aplicação da proposta dos Estados Unidos e pedia “garantias suplementares”.

As manobras diplomáticas não colocam freio nas hostilidades no pequeno território palestino, que enfrenta uma grave crise humanitária e com quase toda a população deslocada pela guerra.

O Exército israelense prosseguiu nesta sexta com sua ofensiva que, segundo a Defesa Civil de Gaza, deixou 52 mortos durante o dia, entre eles 11 que estavam próximos a locais de distribuição de ajuda humanitária.

Conforme declarou a ONU nesta sexta-feira, 613 pessoas morreram durante a distribuição de ajuda na Faixa desde o fim de maio, 509 delas perto das instalações da polêmica Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês).

Esta organização apoiada por Estados Unidos e Israel começou a distribuir alimentos neste território em 26 de maio, depois de mais de dois meses de bloqueio israelense à entrada de toda a ajuda humanitária.

As distribuições da GHF deram lugar a cenas caóticas, com o Exército israelense disparando em várias ocasiões em uma tentativa de conter centenas de palestinos desesperados.

A ONU e as principais organizações de ajuda se recusaram a trabalhar com a GHF, alegando que ela serve a objetivos militares israelenses e viola princípios humanitários básicos. A GHF, por sua vez, nega que tenham ocorrido incidentes “perto” de suas instalações.

No hospital Nasser de Khan Yunis, no sul de Gaza, varias mulheres choravam junto ao corpo de um jovem de 19 anos que morreu perto de um ponto de distribuição desta fundação.

“Meu filho foi buscar farinha. Eles dizem: ‘venham buscar ajuda’, nós vamos e eles atiram do alto”, declarou sua mãe, Nidaa al Farra.

As restrições à imprensa em Gaza e as dificuldades para acessar numerosos pontos significam que a AFP não pode verificar de maneira independente os balanços comunicados pela Defesa Civil.

Procurado pela AFP, o Exército israelense disse que não podia comentar de maneira específica os ataques sem coordenadas precisas, mas alegou estar “operando para desmantelar as capacidades militares do Hamas”.

Israel ampliou recentemente suas operações militares na Faixa de Gaza. Esta semana, Netanyahu disse que queria eliminar “a partir da raiz” o Hamas, mas também indicou que sua prioridade era o retorno de “todos” os reféns.

A guerra na Faixa de Gaza entre o Exército israelense e o Hamas foi desencadeada pelo ataque sem precedentes desse movimento islamista palestino no sul de Israel, em 7 de outubro de 2023.

Esse ataque resultou em 1.219 mortes, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP feito com base em dados oficiais israelenses.

Pelo menos 57.268 palestinos morreram na ofensiva israelense em Gaza, sobretudo civis, segundo o Ministério da Saúde deste território, estatísticas que a ONU considera confiáveis.

Informações são do site Carta Capital, Clique aqui

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