Em 521 empresas consultados no estado, 98,08% das autoescolas mineiras registraram queda de receita nos últimos dois meses. Quase metade relata redução superior a 60% no volume de matrículas, um indicativo de desequilíbrio financeiro e comprometimento operacional.
Para o presidente do Sindicfc-MG, Alessandro Dias, a ausência de diálogo estruturado com especialistas e entidades do setor compromete a construção de um modelo sólido de formação.
“A nossa análise, indica um cenário de desorganização operacional, perda abrupta de demanda e risco real de inviabilidade econômica para centenas de empresas”, afirmou Dias, em entrevista a Band Motor.
Com a nova resolução, o curso teórico passa a ser realizado diretamente pela plataforma da Senatran, sem intermediação de autoescolas. Instrutores autônomos poderão oferecer aulas utilizando veículos próprios, sem exigência de vínculo institucional. Além disso, deixa de ser obrigatória a utilização de veículos com duplo comando, situação vista como crítica pelo sindicato.
Para o dirigente, a fragilização da formação prática e teórica tende a ter reflexos diretos no trânsito brasileiro, especialmente na criação de novos motoristas com treinamento limitado. Ele afirma que, embora a redução de custos seja um objetivo legítimo, a proposta não prevê mecanismos claros de garantia de qualidade.
Pressão política cresce para suspender norma da CNH
O setor acompanha também a movimentação legislativa em torno do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 1031/2025 apresentado no Congresso, que busca suspender os efeitos da nova resolução. Segundo Dias, caso seja aprovado, o modelo atual de habilitação seria retomado.
“Se o PDL for aprovado, a resolução perde eficácia imediatamente, porque todo o processo volta a ser regido pelas normas anteriores, consolidadas e já plenamente aplicadas há anos.”
Ele ressalta, porém, que a segurança jurídica definitiva viria apenas com aprovação de uma nova lei debatida de forma aberta e técnica.
Na avaliação do sindicato, o setor não rejeita a modernização, mas discute a desregulamentação. A entidade defende um modelo revisado que preserve a capacidade regulatória dos Detrans e o papel pedagógico das autoescolas. “É possível reduzir custos, modernizar etapas e usar tecnologia, mas sem eliminar garantias mínimas de formação e de segurança”, diz Dias.









