A primeira Sala Lilás do interior paulista já está em funcionamento no Instituto Médico Legal de Americana. O espaço foi criado para oferecer atendimento mais humanizado a mulheres vítimas de violência física e sexual na região.
A proposta é evitar a revitimização, situação em que a mulher precisa reviver a violência durante o atendimento institucional. Além do cuidado técnico, a equipe recebeu treinamento específico para conduzir os casos com escuta qualificada e sem julgamentos.
Em média, 67 atendimentos relacionados a violência doméstica e sexual são realizados por mês na unidade de Americana. A Sala Lilás atende, além da cidade, vítimas encaminhadas de Artur Nogueira, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré.
As delegacias, inclusive as Delegacias de Defesa da Mulher dessas cidades, foram informadas sobre o funcionamento do novo espaço. Após o registro da ocorrência, o delegado ou a delegada responsável solicita o exame pericial. Se o procedimento for concluído na Sala Lilás, o laudo é encaminhado diretamente à Polícia Civil, que dá continuidade à investigação.
A criação do espaço também dialoga com relatos de mulheres que já enfrentaram dificuldades ao procurar atendimento formal. Uma moradora da região, de 45 anos, que prefere não se identificar, afirma que chegou a desistir de denunciar o ex-companheiro após se sentir desacolhida em uma delegacia. Ela relata mais de duas décadas de relacionamento marcado por violência e ameaças, inclusive depois do término.
Para ter acesso à Sala Lilás, a vítima deve registrar a ocorrência em uma delegacia. A partir da solicitação da autoridade policial, é encaminhada ao Instituto Médico Legal de Americana, onde passa pelos exames necessários em um ambiente reservado e estruturado para garantir acolhimento e respeito.










