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Mercado elétrico – CartaCapital

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A venda de veículos elétricos no Brasil tem crescido muito acima da média de outros segmentos. No primeiro semestre de 2025, foram emplacados mais de 86 mil veículos elétricos e híbridos, aumento de 9,5% em relação ao mesmo período de 2024. O crescimento do mercado total foi de 4,1%, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. Atenta a esses números, a GM decidiu trazer seu elétrico para disputar o segmento e com um concorrente específico, a chinesa BYD.

A montadora norte-americana começou a importar da China o Spark. Lá, o veí­culo é produzido em parceria com a Saic e a Wuling, que ainda não atuam no mercado brasileiro. O modelo concorre diretamente com o Dolphin, da BYD. A importação é a primeira fase e servirá para abrir o mercado. A GM anunciou que até o fim do ano a unidade do Ceará, onde a Ford produzia o Troller, deverá começar a fabricar o Spark.

O veículo tem garantia de três anos ou 100 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro. Já as baterias têm garantia de oito anos ou 160 mil quilômetros. A autonomia é de até 258 quilômetros e o preço foi fixado em 159,9 mil reais.

Olhe para cima

O consumidor brasileiro, muitas vezes, não tem noção do potencial de mercado do País. Mas é preciso olhar para a parte de cima do mapa e ver que existem negócios surpreendentes. Um desses é, certamente, o Grupo Mateus, maior rede varejista do Norte e Nordeste.

Fundado em 1986 na cidade de Balsas, interior do Maranhão, o grupo transformou-se em uma potência regional presente em nove estados. Os resultados são invejáveis. O lucro no segundo trimestre deste ano fechou em 343,5 milhões de reais, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2024, a rede Mateus teve uma receita de 36,3 bilhões de reais, o que a colocou em terceiro lugar dentre os grandes varejistas nacionais.

O grupo emprega mais de 40 mil trabalhadores em 277 lojas físicas. O sucesso em uma região com renda média inferior à do Sul e Sudeste obrigou a empresa a fazer gestão de portfólio eficiente e controle de preços extremamente profissionalizado. O resultado aparece nos números.

Escondam a bandeira

Um dos maiores símbolos globais dos Estados Unidos é a Coca-Cola. No atual momento, uma das estratégias adotadas pela fabricante de refrigerantes e por outras empresas norte-americanas tem sido, no entanto, dissociar-se um pouco do país de origem. McDonald’s e Coca-Cola intensificam estratégias para contornar a piora da imagem dos EUA na Europa.

Em junho, a Pew Research Center, empresa de pesquisa, divulgou que 59% dos franceses, 66% dos alemães e 79% dos suecos veem os EUA de forma negativa. A percepção reflete, segundo outra pesquisa, da YouGov, que muitos europeus tendem a comprar menos de marcas norte-americanas. Para reagir, a Coca-Cola lançou a campanha Made in Germany, destacando que 97% de suas bebidas são produzidas no país, com impacto de 9,1 bilhões de euros no PIB.

O McDonald’s, por sua vez, reforçou sua presença local, anunciando 60 mil empregos e um investimento de 3 bilhões de euros também na Alemanha. Os produtos de empresas dos EUA já enfrentavam resistências no Canadá e uma tentativa das marcas locais de reforço à ideia de “produto nacional”, transformando a identidade em argumento de vendas.

A alma do negócio

Os investimentos em publicidade no Brasil registraram crescimento no primeiro semestre de 2025, alcançando alta de 12,52% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são do Painel Cenp-Meios divulgados recentemente. O volume chegou a 11,93 bilhões de reais, cerca de 1,32 bilhão de reais acima do registrado no mesmo período de 2024. O desempenho supera em cinco vezes o avanço do PIB no período, que cresceu 2,5%.

A maior parte dos recursos, 8,23 bilhões de reais, foi destinada a veiculações nacionais, correspondendo a 69% do total. A Região Sudeste concentrou 18% de todo o investimento, chegando a 2,23 bilhões de reais. A seguir vieram o Nordeste, com 563,48 milhões de reais­ (4,7%), o Sul, com 442,30 milhões de reais (3,7%), Centro-Oeste, com 335,52 milhões de reais (2,8%), e o Norte, com 128,22 milhões de reais (1,1%).

Correção

Na coluna anterior, na nota intitulada “Acelera e Breca”, foi informado que parte dos investimentos na unidade de São Paulo da Lecar viria do programa ­InvestSP. A InvestSP não oferece dinheiro/financiamento para empresas privadas. Sua atividade é a de apoiar como agência de promoção, fornecendo suporte em projetos de negócios. •

Publicado na edição n° 1380 de CartaCapital, em 24 de setembro de 2025.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Mercado elétrico’

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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