O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende defender o fim das plataformas de apostas online durante a campanha eleitoral de 2026, apesar de o próprio governo ter regulamentado o setor e arrecadado bilhões de reais com impostos das chamadas bets. Apenas nos primeiros quatro meses deste ano, as plataformas pagaram R$ 3,1 bilhões em impostos, e R$ 9 bilhões em 2025.
Lula declarou que sempre foi contrário às bets, mas que sancionou a regulamentação há dois anos com a promessa de que haveria uma forte fiscalização e ações para proteger a população.
“Se depender da vontade do presidente da República, eu vou dizer durante a campanha: eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a este país”, afirmou na última semana em entrevista à EBC.
O presidente ainda reclamou que as bets ganharam influência política e econômica no país, principalmente com deputados e senadores no Congresso. Na entrevista, Lula culpou o Legislativo por não conseguir acabar com as plataformas.
“Eu não sou dono do Brasil. Eu sou o presidente da República. Faço parte de um tripé de instituições que governam o país”, declarou criticando também a forte presença das bets em transmissões esportivas, clubes de futebol e eventos culturais.
Lula ainda comparou o atual debate sobre as bets às restrições impostas no passado à propaganda de cigarros no país. O presidente ainda afirmou que o governo criou uma secretaria específica dentro do Ministério da Fazenda para ampliar a regulação do mercado e estudar novas medidas até o fim deste ano.
Auditoria aponta alta ilegalidade
As declarações ocorrem em meio à divulgação de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que apontou falhas graves no controle das plataformas de apostas online no Brasil. O levantamento concluiu que cerca de 40% das bets em operação no país atuam de forma irregular mesmo após a regulamentação criada pelo governo federal.
A auditoria também identificou que até 51% dos jogos realizados nessas plataformas possuem indícios de ilegalidade, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro, manipulação de resultados esportivos e evasão fiscal. Segundo o TCU, as medidas adotadas até agora não têm sido suficientes para impedir a continuidade das operações ilegais.
O tribunal apontou facilidade para que sites bloqueados criem novos domínios e voltem a funcionar rapidamente. O relatório também destacou a falta de monitoramento sistemático, ausência de coordenação entre órgãos públicos e dificuldades para barrar a movimentação financeira das empresas não autorizadas.
Outro ponto levantado pela Corte foi a baixa adesão de instituições financeiras às determinações para suspensão de operações com plataformas ilegais. A auditoria ainda apontou ausência de sanções efetivas, lentidão em processos administrativos e falta de indicadores para medir a eficácia dos bloqueios realizados pelo governo.











